Preconceito Linguístico

Enviada em 23/09/2021

O poema “Pronominais” do escritor modernista Oswald de Andrade, ao afirmar que o “bom brasileiro” utiliza a linguagem coloquial para se comunicar, demonstra a tentativa dos autores desse período de exaltar a cultura nacional, em especial as diversas variações da língua. Apesar desse empenho, ainda é possível observar a existência do preconceito linguístico, o qual impacta diretamente na vida da sociedade. Tal forma de discriminação está associada ao passado histórico do Brasil e acarreta em consequências sociais negativas.

Diante do exposto, é válido ressaltar que durante o período colonial, de 1500 a 1889, idiomas de origem indígena e africana eram tidos como inferiores e aqueles que os utilizavam eram ridicularizados ou, até mesmo punidos pelos portugueses da elite. Essas ações impactam no modo discriminatório atual da população lidar com as variantes que diferem da norma culta, visto que costumes e ideários, como o referido preconceito, são passados através das gerações e perduram por muito tempo.Dessa forma, é possível observar que a permanência da segregação no que concerne aos sotaques, aos dialetos e às gírias é uma consequência do contexto histórico do Brasil.

É fundamental salientar, ainda, que os diversos tipos de preconceito visam à humilhação e à exclusão de outrem. Omesmo ocorre com o preconceito linguístico, uma vez que aqueles que dominam o uso da norma padrão são coniderados mais instruídos e dignos de respeito, enquanto os grupos que utilizam algumas das variações do idioma nacional são, comumente, menosprezados. Nesse sentido, tal fato se relaciona à teori “Vozes Importam” do sociólogo Nick Couldry, o qual afirma que, hodiernamente, há uma “crise de voz” e muitos, por não terem a oportunidade de se expressar são relegados à inexistência. Isso ocorre com as vítimas de tal preconceito, as quais, normalmente, ao receberem comentários vexatórios, têm difilculdade de se expressar, medo de exporem suas ideias, além de se sentiem menos inteligentes ou importantes,

Torna-se evidente, portanto, a urgência de o Ministério da Educação promover o contato da sociedade com as variantes linguísticas sem esigmas ou estereótipos. Essa medida dar-se-á por meio da atualização dos livros indicados para as aulas de literatura do Ensino Médio, de modo a incluir obras que exaltem a diversidade linguística brasileira, principalmente obras do Período Modernista de autores como Guimarães Rosa e Oswald de Andrade. A supracitada proposta terá a finalidade de ensinar aos jovens que não existe apenas uma forma correta de usar a língua e, por conseguinte, haverá a redução do preconceito e da segregação, devolvendo aos cidadãos seu local de fala.