Preconceito Linguístico

Enviada em 28/09/2021

Cebolinha, personagem fictício do desenho “Turma da Mônica”, tem a língua presa e acaba pronunciando muitas vezes as palavras de forma diferente do costume. Devido à essa diferença de pronúncia, os critícam sua forma de falar, cometendo o preconceito linguístico. Na realidade, o preconceito linguístico muitas vezes está relacionado à desigualdade social, visto que há regiões com menos acesso à educação. Ademais, assim como na animação, na sociedade há diversas pessoas que sofrem preconceito devido ao sotaque, sofrendo muitas vezes xenofobia e exclusão social.

Em primeira análise é necessário observar que há uma desigualdade social enraizada na sociedade. Exemplificando, no acontecimento histórico “Limpeza do Rio de Janeiro”, a prefeitura da cidade despejou os pobres do litoral para abrigar os ricos e, consequentemente, foram obrigados a procurar abrigo em lugares que a vida era mais barata, criando regiões mais pobres e mais ricas. Ademais, a desigualdade social desencadeia a falta de acesso à educação para áreas mais pobres que, como consequência, criam uma variação da língua com vocabulário diferente da norma padrão.

Ademais, nota-se que aqueles que sofrem com o preconceito linguístico arcam com consequências como a exclusão social e a xenofobia. Hannah Arendt, em sua teoria da banalidade do mal, defende que há a banalização de problemas sociais por parte da sociedade que não é atingida pela problemática, ou seja, é inegável que a sociedade prefere ignorar o preconceito linguístico à muda-lo. Apesar de muitos terem consciência de que a variação linguística enriquece a cultura do país, ainda há a  xenofobia contra aqueles de esotaque diferente. Além disso, devido à parcela da população não saber lidar com as diferenças culturais, esse preconceito acaba gerando a exclusão social daqueles que falam diferente.

Portanto, nota-se que medidas precisam ser tomadas para que o preconceito linguístico deixe de ser um problema. Cabe ao Ministério da Cultura fazer públicações nas redes sociais governamentais, com o objetivo de educar a população, mostrando a importância da variação da língua e sobre como ela enriquece a cultura brasileira. Além disso, o Ministério da Educação deve promover eventos educativos nas escolas, com palestras e debates sobre os malefícios do preconceito linguístico, ministradas por especialistas do assunto, com o objetivo de conscientizar os jovens. Assim, por meio da educação e da conscientização, a problemática será resolvida.