Preconceito Linguístico

Enviada em 30/09/2021

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito a liberdade individual. Entretando, a desconsideração do vocabulário de grupos sociais impedem que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a desconstrução de antigos comportamentos preconceituosos, bem como a valorização dos desdobramento da língua portuguesa são iniciativas capazes de fazer com que o problema seja tratado com a devida importância.

Em primeiro lugar, é válido frisar a heterogeneidade cultural brasileira perante o léxico de cada região se mostrando um patrimônio a ser preservado e exaltado. Para entender essa lógica, pode-se mencionar o renomado escritor brasileiro Marcos Bagno autor do escrito “Preconceito Linguístico”, o qual, no livro retrata a norma culta como apenas mais um desdobramento da lingua. É entendendo esse fênomeno que se faz inconsistente a defesa de um “falar” correto desconsiderando o vocabulário de grupos sociais e regionais, visto que, o linguajar é uma forma de se expressar abstendo-se do rigor da norma culta no ambiente coloquial.

Em segundo lugar, é oportuno comentar que a retratação de diferentes formas da linguagem em obras literárias assume um papel de aproximação do leitor com as distintas formas de expressão no Brasil, a exemplo se faz os cartuns de Maurício de Souza, que retrata em diferentes edições a valorização do falar popular mostrando a diversidade linguística na caracterização dos seus personagens. Contudo, é desanimador notar que mesmo com a divulgação por linguistas de não existir o falar certo e errado, é observável cenas de desrespeito ás comunidades pelo sotaque, concordância verbal ou uso de gírias, associando essas características a falta de escolarização e ignorância.

Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público, na figura do Ministério da Educação, em parceria com a mídia nacional, desenvolver campanhas educativas – por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veiculadas nas mídias sociais – a fim de orientar a população sobre o fenômeno do preconceito linguístico deixando a par a sociedade que não existe uma maneira certa de falar dominante. Por sua vez os matérias didáticos devem tratar do preconceito linguístico no ambiente escolar para familiarizar os estudantes desde cedo a tal fato. Feito isso, o Brasil poderá garantir os benefícios da liberdade individual.