Preconceito Linguístico
Enviada em 04/10/2021
“Dê-me um cigarro diz a gramática do professor […] mas o bom negro e o bom branco da Nação brasileira dizem todos os dias […] me dá um cigarro”. O poema “Pronominais” de Oswald de Andrade evidencia a variação que existe entre a norma culta da língua e a forma que a população brasileira fala em seu cotidiano. Fora da poesia, essas diferentes formas no falar do brasileiro resultam em preconceito linguístico. Nesse contexto, tornam-se evidentes, como causas, tanto o silenciamento sobre essa forma de violência quanto o seu uso como forma de se sentir superior.
Em primeiro plano, é preciso ter em mente que a falta de debate, fora da academia, torna o preconceito linguístico normalizado na sociedade brasileira. De acordo com Pierre Bourdier, a violência simbólica é aquela que não é explícita pois está normalizada dentro da sociedade. Sob essa ótica, é possível entender que o silenciamento sobre o preconceito linguístico o normaliza dentro do tecido social, fazendo com que ele seja usado como mecanismo de diferenciação social entre o grupo dominante da população e os mais vulneráveis. Assim, a disputa simbólica entre as classes se perpetua, auxiliando na manutenção do status quo.
Em segundo plano, o preconceito linguístico é uma constante entre os brasileiros pois é um meio de se sentir superior àqueles que falam variações de menor prestígio social. À luz das diferentes formas de se expressar, a hipótese de Sapir Whorf diz que a linguagem de um indivíduo influencia seu pensamento e a sua percepção do mundo. Nessa perspectiva, ao depreciar o modo de falar de alguém, deprecia-se a sua identidade e a inferioriza em relação aos grupos dominantes. Ou seja, a distinção violenta que se faz entre os diferentes ‘falares’ é um comportamento etnocêntrico utilizado para hierarquizar a sociedade e colocar o discurso dos grupos mais privilegiados como o correto, independente do contexto em que se insere.
Portanto, evidencia-se a necessidade de uma ação que mitigue o preconceito linguístico presente na sociedade brasileira. Para isso, os professores de português e sociologia do ensino médio devem se unir para promover uma “Feira de linguagens e sociologia”. Essa ação deve ser feita por meio de apresentação de seminário pelos alunos do ensino médio, que devem ser divididos em grupos e cada grupo deve escolher um tema que esteja relacionado ao preconceito linguístico e seus efeitos na sociedade. Esses seminários devem ser apresentados para toda a comunidade escolar, incluindo os pais, e tem como finalidade exaltar os diferentes discursos que formam o Brasil e como o preconceito contra as variações não dominantes empobrece a identidade do povo brasileiro.