Preconceito Linguístico

Enviada em 06/10/2021

A Constituição Federal (CF) de 1988, ordenamento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 3º, como objetivo para o Estado, uma sociedade livre, justa e solidária. Conquanto, tal propósito não tem se reverberado na prática quando se observa o preconceito linguístico, o qual demostra um meio social oposto à meta. Nessas circunstâncias, o contexto histórico da colonização brasileira e o desenvolvimento irregular das regiões do país, contribuem para enfatizar a problemática.

Em primeira análise, cabe pontuar como o contexto de colonização do Brasil contribui para tal realidade. Isso se dá porque o território brasileiro é composto de diferentes raízes, uma vez que foi colonizado por portugueses, ocupado por africanos e, posteriormente, por outros povos, como os holandeses. Dessa forma, infere-se que as formas de expressão, como linguagem, divergem between as diferentes regiões de acordo com sua dominação inicial, pois, essa é o reflexo da cultura local. Consequentemente, o preconceito se faz presente contra esses indivíduos que se expressam de maneira diferente, uma vez que alguns herdaram dos povos europeus o princípio do “Eurocentrismo”, assim, enxergam sua cultura superior em detrimento das demais que são distintas.

De outra parte, vale destacar como os diferentes níveis de desenvolvimento das regiões brasileiras intensificam o problema. É possível afirmar isso porque quanto menos desenvolvido economicamente é o local, menor é o acesso aos direitos sociais, como a educação. Sendo assim, enquanto para uns o vocabulário rebuscado é comum, para outros a norma culta da língua portuguesa é inacessível, o que ocasiona em uma linguagem carregada de jargões e irregularidades, porém, uma identidade local. Contudo, semelhante à Semana de Arte Moderna em 1922, quando uma linguagem popular adentrou o mundo artístico, como pessoas que são “cultas” apresentam resistência e preconceito às divergências nas formas de expressão, como uma linguagem coloquial, caracterizando, até mesmo, xenofobia.

Por fim, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Economia, conscientizar a população quanto aos diferentes vocábulos do Brasil. Tal atitude se dará com o incremento da disciplina “cidadania” na Grade Comum Curricular de Educação, assim como serão ministradas palestras nas escolas pelos estudantes dos cursos de Letras, História e Geografia das universidades federais, a fim de explicitar o motivo dos diferentes vocabulários do português. Ainda, serão direcionados investimentos para a educação das localidades menos favorecidas, o que tornará a linguagem culta acessível. Desse modo, o preconceito linguístico no Brasil será diminuído por meio da conscientização e acessibilidade, tornando a sociedade justa e solidária, como objetiva a CF.