Preconceito Linguístico

Enviada em 08/10/2021

No desenho infantil “Turma da Mônica”, criado por Maurício de Souza, o personagem Cebolinha possui um distúrbio de fala, caracterizado pela troca da letra “R” pela “L”, por consequência, o mesmo é alvo de piadas feitas pelos seus companheiros. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que, no Brasil, o preconceito linguístico é muito presente e causa terríveis traumas para as vítimas desse tipo de discriminação. Isso ocorre tanto pela negligência governamental, quanto pela falta de diálogo nas famílias.

É necessário analisar, a priori, a ineficácia de alguns órgãos do Governo como um entrave alarmante para a resolução do problema. De acordo com a Contituição Federal, lei suprema promulgada em 1988, em seu artigo 3, “É dever do Estado garantir o bem de todos, sem qualquer tipo de discriminação”. Porém, conforme dados do G1, em matéria publicada em janeiro de 2019, “30% dos brasileiros dizem ter sofrido preconceito linguístico”. Desse modo, é inadmissível que tamanho empecilho continue a se perpetuar, ferindo totalmente o artigo da Constituição.

Cabe ressaltar, outrossim, que mais um fator responsável pela persistência do problema é a falta de discussão sobre o assunto nas famílias. Sob a perspectiva da filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo com que os indivíduos deveriam ser habituados a convivência com diferentes. Porém, muitos pais não ensinam seus descendentes sobre os diversos tipos linguísticos presentes no País. Sendo assim, é de suma importância que medidas sejam tomadas para que tal problemática não continue a se perpetuar.

Infere-se, portanto, que o preconceito linguístico representa um desafio ainda muito presente na sociedade brasileira. Portanto, cabe ao Estado, em conjunto com as redes públicas e privadas de ensino, informar crianças e adolescentes da diversidade linguística existente, por intermédio de palestras conscientizadoras com a presença de pais e alunos, debates em sala de aula, além de orientações em casa por meio dos responsáveis. Dessarte, os problemas serão amenizados e o caso de Cebolinha não passará de mera ficção.