Preconceito Linguístico

Enviada em 13/10/2021

No reality show “Big Brother Brasil” de 2021, apresentado pela emissora Globo, a pernambucana, Juliette, é alvo de piadas e desrespeito dos outros participantes do confinamento devido ao seu sotaque nordestino. Esse episódio, apesar de ter ocorrido em um programa televisivo, estabelece pontes com o cenário brasileiro, visto que os cidadãos estão vulneráveis ao preconceito linguístico. Logo, observa-se que esta problemática é decorrente tanto da presença da desigualdade entre a população verde-amarela quanto da ausência de uma lacuna educacional.

Primeiramente, é possível notar que as diferenças entre as classes sociais reflete no modo de se comunicar. De acordo com o livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, Fabiano, enquanto lutava para sobreviver a seca do Nordeste, sofria discriminação de seu patrão, que julgava que ninguém entendia o que o protagonista falava. De fato, a desigualdade sofrida pelo personagem e muitas pessoas da comunidade brasileira, em referência ao modo linguístico, afeta o âmbito social em que vivem, já que, segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau “ a propriedade privada introduz a desigualdade entre os homens, a diferença entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância do mais forte.

Outrossim, o quesito educacional também é outro obstáculo para a resolução do problema linguístico nos ares brasileiros. Conforme a tese defendida por Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa forma, se o indivíduo prossegue na opressão contra aqueles que não estão no padrão da norma culta por ele defendido, significa que a base da educação nos valores do homem não está sendo implantada da maneira como o pensador aborda, o que se entrelaça, por exemplo, em uma publicação feita pela Escola da Inteligência, onde apresentou a importância das escolas na diversidade e respeito para minimizar qualquer tipo de preconceito.

Portanto, para diminuir o preconceito linguístico na sociedade contemporânea no Brasil, é cabível que Organizações Não Governamentais ( ONGs ) através de parcerias com o Ministério da Educação realizam projetos sociais e educacionais, nas instituições públicas e privadas, que visam em atribuir a diversidade e valorização linguística no território nacional  e não excluir nenhum cidadão acerca da oportunidade, de modo a contribuir para a igualdade entre a população e investimento nas paredes educacionais. Quem sabe assim, haverá uma mudança na esfera social.