Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2021

No livro ‘’A hora da estrela’’, da escritora brasileira Clarice Lispector, a protagonista do romance é vítima de comentários preconceituosos no que concerne ao seu vocabulário interiorano. Nessa conjuntura, no Brasil hodierno, muitas pessoas sofrem com o preconceito linguístico devido aos seus respectivos modos de falar, o que coloca em debate as causas dessa ação preconceituosa, na sociedade. Dessa forma, as diferenças sociais associadas à variedade cultural e regional no território brasileiro são fatores que corroboram na origem da problemática supracitada.

Em primeira instância, é mister afirmar que, desde o período colonial e a chegada dos portugueses no território brasileiro, principalmente com a vinda da família real para a colônia em 1808, houve a acentuação das divergências sociais, o que culminou com o acesso desigual aos estudos. Nesse contexto, boa parte da população não possui ensino superior e não utilizam a norma culta padrão da língua e, muitas dessas pessoas não obtiveram, em determinada fase da vida, acesso á educação de qualidade. Dessa maneira, diversos indivíduos, por não saberem utilizar a linguagem formal, são vítimas de preconceito linguístico.

Outrossim, é válido ressaltar as diferenças nas culturas das regiões brasileiras, o que culmina, por conseguinte, em divergências nos sotaques. Nessa perspectiva, em seu documentário, intitulado ‘’Povo Brasileiro’’, Darcy Ribeiro, sociólogo contemporâneo, aborda os diversos povos que constituíram a gênese da sociedade brasileira e que originaram a sociedade nacional atual. Desse modo, muitas pessoas não entendem essa variedade cultural , principalmente na língua, e, quando se deparam com uma pronúncia linguística desigual às suas, acabam depreciando e cometendo o preconceito linguístico.

Destarte, torna-se essencial a tomada de medidas para a resolução do imbróglio supramencionado. Portanto, cabe ao Governo Federal, aliado ao Ministério da Saúde, órgão governamental encarregado das questões educacionais nacional, promover, nas escolas e em locais públicos, palestras e aulas que abordem a importância de entender a heterogeneidade cultural brasileira e, consequentemente, a diversidade linguística existente no país, por intermédio de professores de português e outros profissionais especializados, a fim de reduzir o índice de preconceito linguístico. Somente assim, o cenário contemporâneo será modificado e aprimorado.