Preconceito Linguístico

Enviada em 21/10/2021

De acordo com Marcos Bagno, filósofo e linguista brasileiro, “o preconceito linguístico é todo juízo de valor negativo (de reprovação, de repulsa ou mesmo de desrespeito) às variedades linguísticas de menor prestígio social”. Por certo, apesar da pluralidade cultural, as implicações do preconceito linguístico no Brasil se reverberam até a atualidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a idealização da língua e a segregação social.

Primordialmente, faz-se essencial refletir sobre a falsa ideia de uma língua invariável e única. Segundo Ferreira Gullar, escritor brasileiro, “é mudando a visão das pessoas que se consegue mudar a sociedade”. Dessa forma, mostra-se evidente a necessidade da valorização e reconhecimento das diversidades raciais, regionais e das diferentes faixas etárias que influenciam no português brasileiro, as quais, embora enriqueçam o idioma, frequentemente são utilizadas para reforçar estigmas sociais entre a população. Diante dos fatos mencionados, urge a obrigação de sanar tais problemas.

Outrossim, a segregação social é um fator coadjuvante na questão. Conforme Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, “a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo”. Entretanto, as instituições de ensino, que têm como principal desígnio a função educadora, colaboram para com essa exclusão social ao lidar com os estudantes de formar a suprimir suas individualidades, deixando de lado a discriminação que perpetua nos ambientes escolares e, consequentemente, acentuando a problemática. Logo, é crucial que ações sejam tomadas para reverter tal cenário.

Portanto, é notória a urgência de medidas para combater o preconceito linguístico no Brasil. Dessa maneira, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras, abordar a história do processo da formação da linguagem na nação verde-amarela e demonstrar a influência e contribuição da pluralidade cultural no aprimoramento da língua, a fim de enaltecer as diferenças. Ademais, devem ser distribuídos informativos ao público, com o objetivo de auxiliar na assimilação dos temas ministrados nas palestras. Destarte, poderemos mudar a visão das pessoas, como sugeria Ferreira Gullar.