Preconceito Linguístico
Enviada em 05/11/2021
O livro 1984, de George Orwell, retrata um governo distópico que criou um novo idioma para apagar a língua antiga do país e com ela a cultura da população anterior ao totalitarismo. Nesse aspecto, observa-se que a linguagem e as tradições de um povo se correlacionam. Assim, o preconceito linguístico, crença de que um dialeto seja inferior, revela-se como um grave problema que deve ser revertido, a fim de preservar a diversidade cultural. Para tanto, deve-se analisar a causa e a consequência dessa hostilidade: ineficácia no ensino e atenuação da pluralidade do idioma.
Sob esse viés, é válido ressaltar que a incipiência do ensino catalisa o entrave. Nessa perspectiva, o poema “Pronominais” do Owsald de Andrade, critica a erudição da fala, pois, as regras gramaticais não representam o modo de falar da maior parte da população. À vista disso, a linguagem culta não é inferior às demais, conforme exposto pelo poeta. Todavia, de acordo com a teoria das “Instituições Zumbi”, elaborada por Zygmunt Bauman, embora algumas entidades existam, elas exercem seu papel de forma ineficiente, assim como o personagem morto vivo. Sendo assim, as escolas enquadram-se na teoria, ao passo que privilegiam o aspecto gramático da fala, negligenciando a sua esfera cultural. Em decorrência dessa falha, muitas pessoas não são ensinadas a respeitar os diferentes dialetos, fomentando o preconceito linguístico.
Ademais, é imprescindível enfatizar não só a causa, mas também a consequência da discriminação. A respeito disso, a língua portuguesa brasileira foi resultado de um intenso intercâmbio étnico. Em virtude disso, a canção “Língua” de Caetano Veloso ressalta que a riqueza desse idioma é um produto da sua diversidade geográfica e social. Contudo, o preconceito linguístico parte do pressuposto que um dialeto seja superior e objetiva que todos os falantes falem da maneira “correta”. Dessa forma, essa intolerância estimula a massificação da línguagem. Por conseguinte, com uma padronização da variação linguística, a riqueza do idioma será atenuado, uma vez que, consoante ao Caetano Veloso, a imponência da língua deriva-se de sua diversidade.
Portanto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), veicular uma campanha midiática nas redes sociais-principal meio formador de opinião- com a finalidade de atenuar o preconceito linguístico. Para tanto, o MEC deverá divulgar vídeos de animações com personagens da literatura com diálogos criados, por meio da análise dos estudantes de letras da UFMG, que explicitem a esfera cultural da língua que não admite certo ou errado.
Destarte, com o posicionamento de grandes literários, o cenário do livro “1984.” não será concretizado.