Preconceito Linguístico
Enviada em 04/11/2021
Edward Munch, em sua obra “O grito”, apresenta, em uma atmosfera desolada, um indivíduo angustiado. Não distante da tela, muitos brasileiros vivem uma conjuntura semelhante, haja vista a existência do preconceito linguístico.Infelizmente, alguns grupos sociais, como nordestinos e periféricos, são vítimas de constrangimento e,até, segregação, devido sua forma de falar.Tendo em vista tal panorama deletério, é mister uma análise crítica sobre a mídia e as instituições educativas, para que se possa combatê-lo.
Nessa perspectiva, é imperioso salientar a reprodução desse preconceito pelas mídias comunicativas como incidente desse imbróglio.Sob essa ótica, cabe analisar o personagem Chico Bento, do famoso gibi “Turma da Mônica”, obra de Mauricio de Sousa, como representação da postura midiática acerca de grupos sociais nos quais a linguagem não se adequa à norma culta: Chico, uma criança que mora na zona rural, cuja a variação linguística não corresponde à gramática normativa, é caracterizado pelo desinteresse e dificuldade de aprendizagem.Nessa lógica, é notório que a mídia propaga padrões preconceituosos acerca daqueles que não se expressam conforme a gramática exige e, com efeito, corrobora para a intensificação desse preconceito.Isso se torna mais claro, com o conceito de “Normalização”, do filósofo Michel Focault, o qual argumenta a nocividade da repetição de condutas preconceituosas sem visão crítica.Dessa forma, faz-se jus a dissolução de tais padrões midiáticos.
Outrossim,é imperativo apontar a inércia das instituições escolares como forte motriz dessa mixórdia.Conforme o educador Paulo Freire,as escolas devem, além de fornecer conhecimento técnico-científico, estimular habilidades socioemocionais, como respeito e empatia.Todavia,evidencia-se que esse pensamento é ignorado pelo corpo estudantil, posto que, mesmo estando na ementa escolar, as discussões em sala sobre a variedade e o preconceito linguístico são superficiais e,muitas vezes, escassas. Consequentemente,sem a formação crítica e social,os cidadãos tendem a repetir posturas preconceituosas, fomentando o ciclo vicioso desse problema.Assim, deve-se mudar tal conjuntura.
Infere-se, portanto, medidas que mitiguem o preconceito linguístico. Para tanto,é papel das mídias comunicativas, como principal instituição de influência crítica,criar ficções engajadoras que rompam com os padrões preconceituosos existentes,por meio de filmes, séries e novelas que valorizem e exaltem a variedade linguística, retirando seu vínculo com a pobreza e falta de educação, a fim de atenuar o preconceito linguístico nesse meio e,logo, na comunidade. Ademais, as escolas devem lecionar, por meio de debates em sala e workshops, a importância de tal variedade e a nocividade do preconceito sobre a língua, objetivando educação plural e uma maior consciência social. Assim, a partir dessas ações, a tela de Munch não será análoga á conjuntura brasileira.