Preconceito Linguístico
Enviada em 08/11/2021
No livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, é retratado a trajetória de Fabiano, um sertanejo, que precisou sair da sua terra natal para trabalhar, porém é ridicularizado e humilhado pelo seu chefe por causa da sua forma de falar e, por isso, não poderia ter melhores condições de trabalho. Analogamente à ficção, no Brasil hodierno, é nítido a presença do preconceito linguístico, decorrente da banalização do tema. Nesse sentido, a negligência Estatal e a falta de empatia humana impulsionam essa problemática. Em primeira análise, é fulcral analisar o descaso governamental como um impulsionador do exposto. Nessa óptica, de acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo quinto, o direito à honra e à imagem é inerente a todo cidadão, bem como é assegurado a indenização em caso de violação. Contudo, essa prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a alta taxa de vítimas de discriminação linguística, na qual teve esses direitos violados e, ainda, não houve reparação, ao contrário do que é previsto na Carta Magna. Com isso, essa lacuna legislativa faz com que esta parcela da população, em muitos casos, crie traumas e problemas mentais, como ansiedade e depressão, pois tem receio de se comunicar em público e ser novamente alvo de tal prática criminosa, o que prejudica a interação social. Dessa forma, é evidente que a omissão do Governo auxilia a perpetuação desse cenário. Ademais, a apatia da sociedade auxilia a manutenção do problema. Nessa óptica, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, “em tempos de modernidade líquida a indiferença ao próximo é habitual”. Concomitante à afirmação do estudioso, a falta de sensibilidade do corpo social é uma característica marcante da geração Z, dado que as relações pessoais são frágeis e maleáveis como os líquidos. Assim, as pessoas tornam-se individualistas e não se sensibilizam se o próximo for violentado moralmente e humilhado pelo seu vocabulário e sotaque, por serem vistos como “diferentes”. Desse modo, a assistência disponibilizada para essa parte inferiorizada da nação verde-amarela e a luta por igualdade é precária, o que acaba por agravar essa temática. Em suma, medidas devem ser tomadas para reverter esse quadro trágico. Para isso, as escolas devem trabalhar a sensibilidade dos seus alunos, por meio de projetos socioeducativos - que especialistas na área de psicologia e sociologia demonstrem o impacto negativo dessa prática na vida das vítimas -, a fim de diminuir drasticamente o percentual de preconceito linguístico e promover uma vida digna para todos. Dessarte, casos como o da obra literária “Vidas Secas” ficariam apenas na literatura.