Preconceito Linguístico

Enviada em 10/11/2021

O filósofo Raimundo de Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que, atualmente, enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como o preconceito linguístico. Esse panorama ainda vigente é atestado decorrente de uma vasta negligência governamental agregada à uma intensa omissão escolar e social.

À princípio, ressalta-se que o descaso por parte do governo age em contramão aos ideais do filósofo Thomas Hobbes, isso porque, segundo ele, o Estado foi criado para assegurar os direitos humanos, eliminar as desigualdades e promover a coesão social. Sob esse viés, com a grande expansão territorial do país, consequentemente, conclui-se que haverá uma intensa diversidade cultural, alimentícia, de costumes, crenças, línguas e sotaques. Dessa forma, com as teorias de Hobbes sendo banalizadas pelo governo, os índices da problemática se ratificarão, tornando-se cada vez mais frequentes.

Ademais, cabe abordar a questão da omissão social e escolar que, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, são nesses dois locais onde se fundamentam as opiniões e a plena formação do cidadão. Nessa perspectiva, conforme uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 38% dos cidadãos do país nunca tiveram acesso ao colégio. Tal contexto, reforça a questão da pluralidade ao se proclamar a língua portuguesa no Brasil.

Portanto, é de indubitável importância que o Governo Federal, numa ação conjunta com a Câmara dos Deputados, o Ministério da Educação e a população em geral promova políticas públicas eficazes, por meio da disponibilização de verbas para a construção de escolas em áreas afastadas, acesso aos materiais de apoio como livros, computadores e internet e na contratação de profissionais, bem como, em palestras, aulas e cartazes acerca da problemática, visando a diminuição do preconceito, a diversidade linguística e o cumprimento da adaptação feita em 1889.