Preconceito Linguístico
Enviada em 18/11/2021
O Modernismo foi um movimento literário relevante para retratar falares regionais e populares que não eram reconhecidos tradicionalmente. Entretanto, apesar de existir atividades para divulgar a diversidade da fala, o preconceito linguístico cresce, cada vez mais, no Brasil, devido à permanência da dominação cultural tradicional e à falta de valorização das variantes linguísticas brasileira.
Em uma primeira perspectiva, o filósofo Pierre Bourdieu relata, em sua teoria sobre a violência simbólica, que existem várias formas de violação impostas sobre os indivíduos, por meio de uma determinação de valores culturais de uma classe dominante. De maneira análoga, a norma culta da língua portuguesa é representada com um maior prestígio e grau de relevância na sociedade, sendo caracterizada com uma hierarquia de superioridade em relação aos falares populares. Como consequência, todas as linguagens que não se encaixam na norma culta são rebaixadas e definidas como incorretas, promovendo, assim, uma opressão e ridicularização dos cidadãos que utilizam essas variantes, como por exemplo, as gírias e falas com marcas de informalidade. Logo, esse cenário fortalece manifestações de discriminação na sociedade que devem ser eliminadas.
Em uma segunda análise, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, as pessoas possuem seus hábitos moldados por fatos sociais, que são exteriores e coercitivos. Da mesma forma, a naturalização da supervalorização da norma culta foi um hábito imposto sobre os indivíduos, pois a escola tradicional propaga, na maioria das vezes, apenas ensinamentos sobre a utilização desse falar tradicional, de tal forma que os alunos constroem uma perspectiva superficial sobre as diversas variações linguísticas que existem no território brasileiro. Como resultado dessa restrita difusão de conhecimento, ocorre à perpetuação da ideia preconceituosa de que as variações da língua são inadequadas ou irrelevantes. Sendo assim, a conscientização de que todos os tipos de expressões verbais são igualmente relevantes na construção cultural do país é negligenciada.
Portanto, medidas para combater o preconceito linguístico devem ser realizadas no Brasil. E, para isso, o Ministério da Educação deve atuar nas mídias digitais e televisivas, por meio de campanhas que explicam a diversidade de falares que existem no país e desmistifique a ideia de superioridade da norma culta da língua portuguesa. Detalhadamente, essa difusão de conhecimento ocorrerá com a utilização de ídolos da atualidade, como o Neymar, pois as pessoas possuem o hábito de copiar e prestar mais atenção em modelos midiáticos. Nesse sentido, o intuito da iniciativa é difundir o conhecimento e a conscientização sobre os tipos de discursos, para que o respeito seja fortalecido entre os brasileiros e o ciclo de violência simbólica erradicado.