Preconceito Linguístico
Enviada em 16/11/2021
O Brasil é um país rico em diversidade cultural. Em cada um dos quatro cantos do país, pulsa uma gama de variedades de falas, costumes e modos de vida. Assim, é indiscutível que o patrimônio cultural do país está presente também na língua dos habitantes. No entanto, o preconceito linguístico é uma problemática presente no cotidiano da sociedade, e afeta diretamente as relações sociais. Além disso, cabe pontuar que as raízes do preconceito estão intimamente ligadas à desigualdade social sistêmica da nação brasileira.
Primariamente, vale refletir sobre o preconceito linguístico como um fator que impulsiona a exclusão social. Nesse sentido, é notório que a cultura popular deprecia o caipira como um indivíduo desprovido de inteligência, caráter, bom senso. Por exemplo, na obra “Urupês”, Monteiro Lobato dá a vida a Jeca Tatu, um típíco caipira que reproduz na fala e nas atitudes o modo de vida campesino. A obra, no entanto, coloca Jeca Tatu como um personagem caricato, alvo de zombaria. Então, essa concepção acerca do interiorano molda a opinião popular, e fortalece o preconceito.
Em segunda análise, é importante ressaltar que o acesso à educação não é igualitário. Corroborando com essa afirmativa, os dados do Mapa da Aprendizagem evidenciaram que o Brasil é um dos países com maior desigualdade de aprendizagem entre as classes sociais. Dessa maneira, os cidadãos que não desfrutam de um educação de qualidade, estão fadados ao subemprego e à exclusão social. Assim, configura-se um quadro de abandono e negligência, provando que essa questão deve ser resolvida.
Portanto, considerando que o preconceito linguístico perpassa realidades culturais e sociais, cabe ao Ministério da Educação propor um diálogo amplo acerca dessa polêmica. Em suma, o diálogo com a população deve ser intermediada pelas escolas, e a pauta necessita estar em consonância com a valorização da cultura popular, em contraponto com a depreciação. Somente com ações afirmativas direcionadas à reflexão sobre o que é ser brasileiro que o preconceito linguístico será combatido.