Preconceito Linguístico

Enviada em 15/11/2021

Desde o período da colonização portuguesa a língua dos nativos que aqui viviam foi ignorada e excluída. Assim, se antes o português foi imposto e obrigatório em todo território, hoje é possível observar que essa realidade não mudou, pois o preconceito linguístico ainda persiste no Brasil. Dessa forma, as ações imperialistas com relação à língua podem ser vistas no ambiente escolar e na sociedade, praticadas pelos próprios brasileiros.

Em primeiro plano, vale destacar que as instituições de ensino brasileiras ajudam a reforçar a noção de certo e errado com relação ao português. Nesse aspecto, enxergar a língua pelo viés exclusivo - e não inclusivo - ajuda a reforçar atos intolerantes desde a infância. Assim, segundo Marcos Bagno, em seu livro Preconceito Linguístico, defende uma educação que valorize a diversidade cultural do país. Logo, isto mostra-se coerente, já que o Brasil possui grande extensão territorial e as pessoas de diferentes regiões têm hábitos distintos, tanto linguísticos quanto culturais. Dessa forma, é papel da escola não reforçar atitudes discriminatórias.

Além disso, deve-se ressaltar também que a intolerância na infância provoca atitudes de exclusão social nos adultos. De fato, a educação no Brasil não é igualitária para todos, pelo contrário, é instrumento de desigualdade social pela negligência do Estado. Assim, ela acaba por reafirmar, na vida adulta, atitudes discriminatórias entre os mais velhos, tendo como elemento de reforço a Mídia, que serve como instrumento de dominação e ainda enfatiza as diferenças regionais pela linguagem. Logo, isso pode ser observado em novelas como “Eta Mundo Bom!” da Rede Globo, em que os personagens do interior são emburrecidos, ridicularizados e têm espaço para serem protagonistas apenas de novelas de comédia, como é o caso de Candinho.

Portanto, medidas são necessárias para resolver a problemática. Para isso, o Ministério da Educação deve financiar campanhas nas mídias - principalmente na TV - que ressaltem a diversidade e repudiem atitudes de preconceito, através da fala de pessoas de diferentes regiões do país e ainda com relatos discriminatórios que as mesmas sofreram para que esses malefícios enfim cessem e assim as pessoas se informem mais sobre o assunto. Ademais, o MEC deve também promover cursos aos professores de português por meio de debates e discussões que desconstruam o ensino atual a fim de

enfatizar a necessidade de tornar o português uma língua inclusiva, como deseja Marcos Bagno.