Preconceito Linguístico
Enviada em 16/11/2021
O filósofo Kant, ao escrever “O que é o esclarecimento?”, concluiu que a humanidade está a caminho do progresso em diversos fatores. Contudo, contesta-se a evolução prevista, quando nota-se a manutenção do preconceito, sobretudo, linguístico na sociedade. Então, com efeito, reestruturações educacionais e políticas são medidas impostas para que o preconceito linguístico seja cessado.
Inicialmente, é válido ressaltar a contribuição da laicidade populacional acerca das variações linguísticas e da garantia de direitos dos cidadãos para o aumento de casos intolerantes à língua. De acordo com uma pesquisa feita pelo “Data Senado”, quase 50% dos entrevistados admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal. Desse modo, constata-se que os indivíduos mantêm-se alienados diante dos próprios direitos e do direito dos outros, o que, infelizmente, pode favorecer o exercício da violência e da intolerância ao diferente, afinal, ao desconhecer tal atitude como criminosa ou como difamatória, o agente tende a não só manter tal comportamento de repúdio à variação linguística de povos de outras regiões, mas também incentivar as mesmas ações aos outros. De forma análoga, inclusive, ao que dissertou o escritor espanhol Adolf Vázquez, a repetição de determinada ação promove, erroneamente, a naturalização do ato. Por isso, cabe às escolas o ensino à Carta Magna e à promoção dos direitos conquistados no decorrer dos anos do Brasil República, haja vista a diversidade social formada desde essa época, de maneira a romper com tal ignorância.
Outrossim, é imprescindível mencionar a elitização da língua promovida pelo Estado como fator primordial para a manutenção do preconceito linguístico na atualidade. Conforme apresentado em diversas obras de Machado de Assis, a elite, isto é, os doutores e os governadores sempre deviam apresentar linguagem rebuscada frente aos demais indivíduos da comunidade, como forma de, para além do poder material, apresentar superioridade por meio da oratória e dos estudos. Infelizmente, esse ideal foi repercutido, assim, na literatura de muitos outros escritores que, ao viverem isso, eternizaram as situações nos livros escritos. Dessa forma, houve a construção de ideias, as quais bipolarizaram o modo correto e o modo errado de falar, o qual atingiu grande parte da população que se viu na obrigatoriedade coercitiva do comportamento.
Portanto, evidenciam-se condutas para que o preconceito linguístico seja combatido. Por conseguinte, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover uma mudança nas diretrizes e bases educacionais, estabelecidas por FHC em 1996, para atualizar o ensino ao contexto social mencionado e inserir o estudo à Constituição e às variantes da língua, a fim de propiciar a tolerância e cessar o preconceito. Por fim, haverá progresso.