Preconceito Linguístico

Enviada em 19/11/2021

A linguagem foi uma construção social resultante da necessidade de comunicação dos seres humanos, é um instrumento dinâmico e por isso permite que variações surjam de acordo com o grupo social que o utiliza, entretanto, em um contexto de grande desigualdade social, como o atual, a forma de falar se torna uma ferramenta de segregação social, principalmente com uma parcela restrita da população, que possui acesso a instrução, estabelecendo uma norma culta como parâmetro, abrindo espaço para discriminação e preconceito contra quem não é abrangido por ela.

Primeiramente, vale ressaltar que a linguagem se adapta à realidade dos falantes, afinal, trata-se de um mecanismo utilizado para estabelecer a comunicação, que geralmente ocorre entre pessoas de mesmo convívio social, portanto, diferentes contextos, como região, grau de instrução, condição econômica, entre outros, permite a adaptação de quem as fala. Entretanto choques de diferentes grupos sociais aliado à falsa noção de superioridade desenvolvida por alguns grupos, que possuem linguagem mais semelhante ao suposto “padrão”, passam a discriminar as diferentes variações, por considera-las inferiores.

Ademais, o padrão de linguagem estabelecido por um grupo social funciona como um dispositivo de reconhecimento, ou seja, dialetos, gírias, sotaque, entre outros funcionam como parte integrante das características de uma comunidade e, portanto, a discriminação linguística expressa-se como uma ramificação de um problema ainda mais elementar: o preconceito com a diferença, advindo de um passado, por exemplo no Brasil, cujo egocentrismo europeu subjugou a cultura das outras populações durante a colonização e pregou a diferença como um problema, o que é um equívoco que persiste até hoje.

Entende-se, então, que o preconceito linguístico advém de uma segregação estabelecida por grupos que, falaciosamente, se autodeterminam como superiores pelo modo de falar, frutos de um passado que cultivou esse pensamento na sociedade. Cabe, portanto, ao ministério da educação elaborar projetos que incrementem nas escolas o ensino sobre o respeito às diversidades linguísticas, e também ao governo que criminalize atos que sejam classificados como discriminação linguística, para que desse modo a sociedade passe a apreciar a pluralidade de línguas brasileiras com todo o valor que ela possui.