Preconceito Linguístico

Enviada em 18/11/2021

Durante o Período Colonial, portugueses impunham aos negros e indígenas a Língua Portuguesa. Devido a essa ideia etnocêntrica, idiomas tipicamente brasileiros e africanos foram extintos no país. Infelizmente a situação atual não é muito diferente. A sociedade brasileira ainda convive com o preconceito linguístico que discrimina todo tipo de linguagem diferente da padrão por motivações sociais e políticas.

Em primeira instância, é importante frisar a pluralidade de culturas presente no território brasileiro. Em um país composto por distintos vinte e sete estados, incluindo o Distrito Federal, é inevitável a tentativa de homogeneização cultural por parte de grupos com maior influência. O sociólogo Pierre Bourdieu defende a ideia de violência simbólica, ou seja, certos saberes são mais valorizados que outros. Desta forma, é possível fazer um paralelo com a questão da discrimanção social devido ao preconceito linguístico. As classes mais altas e com maior acesso à educação tendem a segregar e constranger aqueles que, por uma série de fatores sociais, não se comunicam com a norma culta do idioma. Contudo, essa ação, além de prejudicar a saúde mental daqueles que sofrem com a intolerância, faz com que o patrimônio cultural brasileiro sofra com a perda da variabilidade linguística.

Outrossim, deve-se citar a capacidade da linguagem de manipular e se comunicar com as massas. O filófoso Michel Foucault, na obra “Microfísica do poder”, afirma que a língua é uma forma de dominação. Assim, é possível afirmar que grupos, principalmente políticos, se aproveitam das diferenças linguísticas para consolidar seu controle sobre as classes mais baixas. Ademais, vale ressaltar que esse comportamento está atrelado ao fato que a cultura no Brasil é bastante elitizada de modo que toda forma de linguagem do “povo” é vista como inferior e sem valor artístico pelos detentores da produção cultural. Logo, a própria população, já sem prestígio, se coloca numa posição de menosprezo e incapacidade.

Fica evidente, portanto, que o preconceito linguístico deve ser combatido a fim de propagar o respeito entre as diferenças formas de comunicação. Com o intuito de atenuar os casos de discriminação de língua, é necessário que o Ministério da Educação adicione no currículo escolar do ensino básico conteúdos que exaltem a variedade de “portugueses” dentro do território nacional juntamente com suas formas de utilização. Além disso, o Ministério da Cidadania deve criar projetos e campanhas publicitárias que celebrem as diversas formas de comunicação e dialetos como uma herança do patrimônio cultural brasileiro.