Preconceito Linguístico

Enviada em 19/11/2021

No livro “ Mar morto”, de Jorge Amado, o autor brasileiro enaltece toda a variedade linguística baiana durante a obra, usando expressões características dessa região. No entanto, nem todos enxergam a língua dessa mesma forma. Dessa maneira, observa-se que o preconceito linguístico se encontra presente no Brasil hodierno. Nesse viés, torna-se necessário analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e um modelo educacional deficiente.

Em primeiro lugar, a ausência do governo potencializa o preconceito linguístico. Sob essa perspectiva, segundo o filósofo italiano, Nicolau Maquiavel, o governo, para se manter no poder deve realizar ações visando o bem universal. Nesse sentido, a permanência da discriminação contra línguas evidencia toda a irresponsabilidade do Estado no fornecimento de condições básicas para que situações como essa não acontençam, como, por exemplo, uma legislação mais eficiente com leis específicas para essas ações. Ou seja, essa questão nociva, além de gerar problemas como constrangimento e humilhação, também evidencia a ineficácia do país, haja vista que o bem universal, sustentado pelo autor, não foi preservado.             Além disso, outro fator que contribui para a permanência da opressão contra línguas, é o sistema educacional. Sob esse viés, segundo o filósofo alemão, Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse contexto, diante de um modelo de educação focado, quase exclusivamente, na formação profissional dos jovens, temas como preconceito linguístico são negligenciados. Desse modo, são formados profissionais extremamente capacitados, mas deficientes em questões que tratam de compreender a diferença do próximo, principalmente quando se trata da língua.

Portanto, para resolver essa problemática, medidas precisam ser tomadas. Dessarte, o Ministério da Justiça deve, por meio de um projeto de lei enviado à Câmara dos Deputados, promover condições básicas para que situações como essa não aconteçam, como, por exemplo, um sistema legislativo mais eficaz contra o preconceito linguístico. Espera-se, com isso, diminuir a discriminação de línguas no país. Ademais, o Ministério da Educação deve fornecer palestras sobre esse tópico nas escolas brasileiras. Só assim o Brasil será um país que valoriza sua diversidade de falas, da mesma forma que Jorge Amado desejava