Preconceito Linguístico
Enviada em 05/03/2022
A comunicação sempre foi um instrumento importante para o desenvolvimento de civilizações, com ela surgiu a escrita e a linguaguem. No entanto, houve a necessidade de impor regras ao modo correto de se escrever e falar, com o intuito de separar e diferenciar classes sociais, já que na Idade Média grande parte da população não possuía acesso a educação e a leitura, no qual, era restrito para a nobreza e igreja católica. Logo, a norma culta está fortemente ligada ao preconceito linguístico, uma mazela social que deve ser superada para assim reconhecer a diversidade da língua brasileira.
É notório, que o Brasil possui uma grande variação linguística, visto que é um país extenso territorialmente, que tem muitas regiões com características, costumes e dialetos diferentes. Além disso, a linguagem de determinada comunidade não só expressa sua história e cultura como também forma a identidade do indivíduo, ou seja, o modo de falar não está ligado exclusivamente a educação escolar que foi dada ao sujeito, mas sim aos hábitos regionais em que ele está inserido. Sendo assim, é precipitado afirmar que a maneira correta de se comunicar é usando a norma culta, posto que a linguagem coloquial faz parte do cotidiano da população brasileira.
Por outro lado, a sociedade possui uma visão negativa acerca da língua informal, pois a gramática normativa e as instituições de ensino consolidaram a ideia de que a linguagem culta deve prevalecer sobre o coloquialismo. Nesse sentido, o preconceito linguístico é reforçado, dado que o ato de falar errado é hostilizado pelo corpo social e considerado como falta de educação escolar, cultura ou até mesmo associado a uma prática exclusiva de classes sociais mais baixas. Portanto, a norma culta exclui e reprime a diversidade linguística brasileira.
Em suma, é papel do Ministério da Educação promover campanhas midiáticas sobre o preconceito linguístico, com o intuito de informar a população que tal prática é um crime, além de instruir as escolas que ensinem os alunos a valorizar e reconhecer a variação linguística de sua região, onde o coloquialismo não se torne alvo de críticas. Por fim, será possível normalizar a língua informal e trazer à tona sua importância cultural e identitária para o vocabulário brasileiro.