Preconceito Linguístico

Enviada em 13/03/2022

De acordo com o filósofo grego Platão, “O conhecimento imposto à força, não pode permanecer na alma por muito tempo”. De maneira análoga a isso, sobressai o preconceito linguístico na sociedade brasileira. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos: o elitismo e a xenofobia.

Em primeira análise, evidencia-se o elitismo. Sob essa ótica, segundo o filósofo Marcos Bagno, o preconceito linguístico pode se dirigir da elite econômica para as classes mais pobres, visto que, o desconhecimento da norma padrão da língua representaria um baixo nível de qualificação profissional. Por essa razão, muitas pessoas permanecem nos subempregos e com péssima remuneração. Desse modo, é possível notar que um dos pilares da divisão de classes sociais no Brasil, é o preconceito linguístico.

Além disso, é notória a xenofobia. Nesse caminho, na tirinha “Bom Português”, o personagem Chico Bento vive na zona rural e usa expressões típicas de sua região, mas, o mesmo é corrigido por sua professora que afirma que “isso não é português que se fale”. Nesse contexto, as vítimas do preconceito regional por conta de suas variações linguísticas estão em partes do Brasil consideradas como “atrasadas culturalmente”, e esse preconceito leva outros estados brasileiros a enxergarem essas regiões e seus habitantes como inferiores.

Depreende-se, portanto, de medidas que venham conter o preconceito linguístico no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional da Educação, o ensino da adequação linguística, por meio de palestras educacionais em todas as escolas do país, a fim de que se ensine nas instituições a habilidade de adaptar a linguagem de acordo com o momento, sendo ele formal ou informal. Ademais, é também dever do MEC ensinar nessas palestras a respeitar as demais variações linguísticas do Brasil. Somente assim, o conhecimento não será imposto à força, como Platão afirmava.