Preconceito Linguístico
Enviada em 13/03/2022
Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também o imbróglio do preconceito linguístico, que se encontra silenciada no Brasil. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a educação brasileira e a omissão estatal.
Primordialmente, é fulcral apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção do preconceito contra o uso único da língua. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia” , do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate ao estigma relativo às diferenças no uso da língua e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealizou.
Ademais, faz-se imperiosa a análise da forma indiligente que o governo combate a problemática. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do direito de livre expressão. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da discriminação linguística, seja pela pouca punição que os transgressores sofrem.
Destarte, cabe ao Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover uma mudança nesse pensamanento preconceituoso da sociedade, por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular, a fim de de combater o estigma associado ao uso singular da língua. Paralelamente, as esferas públicas devem efetivar mais políticas públicas que combatam tais transgressões. Assim, espera-se que a ideia de Manoel de Barros seja adotada por todos.