Preconceito Linguístico

Enviada em 13/03/2022

Na obra ´´Vidas Secas´´, de Graciliano Ramos, é retratado o personagem Fabiano, o qual sofre com dificuldades de se expressar de forma clara e objetiva segundo a padronização linguística e, por tal motivo comparava-se a um bicho. Ambíguo a situação vivenciada pelo personagem, inúmeras pessoas se detêm ao manifestar verbalmente, tendo receio de serem vítimas do preconceito linguístico. Logo, urge a necessidade da discriminação social da linguagem, visando a liberdade de expressão.

Em primeiro plano é imperiosa a compreensão das divergências presentes na linguística de um país. Como uma ramificação natural da língua que, por suas singularidades não seguem a norma-padrão, a variação é separada em quatro âmbitos: regional, social, histórico e estilística. No verso ´´Eu canto em português errado´´ de Renato Russo, é evidente a crítica as regras gramaticais e a diferença da linguagem culta para a coloquial. Nesse ínterim, não deveria ser rejeitado ou discriminado o indivíduo que, perante um grupo socialmente diferente, possua um linguajar distinto, mas sim aceito.

Ademais, vale ressaltar que a região norte do Brasil é a que mais sofre com discriminação pelo modo de fala. Esse panorama lamentável ocorre por ser uma área empobrecida e habitada por grupos minoritários. Conforme o filósofo e linguístico Marcos Bagno, o preconceito linguístico precede a segregação social, sendo uma forma de opressão e dominação da elite aos afetados. Evidencia-se, portanto, que essa discriminação perpetua a exclusão, sendo assim é obtuso que esse mal seja combatido.

Tendo em vista o assunto em pauta, é necessário que medidas sejam tomadas para que não ocorra mais preconceito linguístico. É cabível ao Mec aprofundar discursões sobre o preconceito linguístico em escola, por meio de debates, palestras e estudos sobre, tendo em vista a compreensão dos modos e variedades de fala, sem julgamentos, a fim de maior inclusão. Nesse meio, a história de Fabiano não tornara a se repetir e teremos pessoas capazes de argumentar e se expressar com seu próprio dialeto, sem receios de julgamentos.