Preconceito Linguístico
Enviada em 10/04/2022
Durante a exibição do reality show BBB-21, a participante Juliette Freire foi vítima de preconceito pelo modo que falava, pois tinha um sotaque nordestino muito forte, e virou “piada” para seus concorrentes. Infelizmente, casos como o de Juliette não são incomuns no cenário brasileiro, tendo em vista que o preconceito linguístico é muito marcante em todo território. Deste modo, é preciso entender as causas desta descriminação e como combate-la.
Em primeiro plano, faz-se necessário entender o que é o preconceito linguístico. Este é o julgamento de uma pessoa pelo modo que ela fala, principalmente se é influenciado pelas características culturais, regionais e /ou históricas do local. A língua portuguesa, ao longo dos anos, sofreu influência de inúmeros povos, e por consequência, temos uma variedade de sotaques e gírias por toda extensão brasileira. Entretanto, existe a gramática normativa que tenta descrever uma parcela da língua, conhecida como norma culta. Essa forma de escrita é autoritária, intolerante e repressiva, pois não aceita as variações da língua existentes. Contudo, negar que existe uma grande variação da fala é o mesmo que negar a influência e importância de outros povos para cultura brasileira.
Em segundo plano, é preciso ressaltar que o preconceito linguístico é o reflexo de um problema educacional. O fato da educação não ser igualitária a todos é o maior estopim para a descriminação linguística, pois sabe-se que as classes mais altas da sociedade têm acesso a um ensino de qualidade, assim, o contato com a norma culta é maior. E, com o pensamento de superioridade existente, estas pessoas se sentem no direito de praticar atos preconceituosos com os demais, que, infelizmente, não tiveram acesso a um ensino de qualidade. Segundo dados da pesquisa do G1, mais de 30% da população de classe baixa sofre preconceito línguisto, reafirmando que este é um reflexo de problema educacionais.
Portanto, medidas precisam ser tomadas. Assim sendo, cabe ao Governo e o Ministério da Educação, investir em palestras e campanhas, por meio de verbas governamentais, afim de conscientizar os jovens acerca deste assunto, para que tais atos preconceituosos acabe e todas as variações linguísticas sejam respeitadas. Deste modo, casos como o de Juliette não serão mais recorrentes.