Preconceito Linguístico
Enviada em 13/04/2022
O uso da linguagem, como código vetor da cultura, é responsável pela troca de informação entre indivíduos, retratado pelo cronista Paulo Mendes Campos, na obra “Continho”, além do choque entre a linguagem dos personagens, em tom irritado e agressivo. No Brasil, o preconceito linguístico, independente da polidez ou grosseria, e as interações problemáticas são reflexo da desigualdade econômica e impedem a integração dos espaços nacionais, ao criar barreiras entre indivíduos.
Primeiramente, a desigualdade econômica no Brasil é determinante para a existência e propagação do preconceito linguístico, uma vez que o acesso à educação e a cultura são heterogêneas entre as classes sociais. Na obra “Auto da Compadecida”, o autor Ariano Suassuna explora o preconceito linguístico existente entre os personagens com poderes aquisitivos discrepantes como um ponto de partida justificar a exploração do pobre e “burro” pelo rico e “inteligente”. Além disso, a inexistência do ensino das variantes da língua portuguesa em escolas também contribui para a perpetuação do preconceito linguístico no país, visto que a ignorância acerca do falar característico é a causa-raiz do problema.
Além disso, a integração dos espaços nacionais se relaciona com o preconceito linguístico, uma vez que a sensação de pertencimento ao país é composto pela aceitação das características e a confiança de que o estado irá se esforçar para fiscalizar e combater tal violência. Na música “Faroeste Caboclo”, de Legião Urbana, o personagem tem dificuldades para se estabelecer, visto que não se sente pertencente por falar e pensar de forma diferente, fazendo com que ele se mude e arranje emprego com mais dificuldade. Fora da arte, a falta de pertencimento cria barreiras entre o indivíduo e a nação, devido a falta de perspectiva de melhora da sua situação, gerando indivíduos indiferentes a conjuntura política e social do país.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal, a partir dos Ministérios da Educação e Cultura, intervindo nas escolas para criar rodas de conversa sobre a variação da língua, ao discutir autores como Ariano Suassuna, e do Ministério da Justiça, junto ao Judiciário, para investigar, punir e criar campanhas de para conscientização da população. Dessa forma, a problema do preconceito linguístico será amenizado, criando uma sociedade de bem-estar social em todo o país.