Preconceito Linguístico
Enviada em 24/04/2022
Manoel de Barros, grande poeta pró-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Nessa lógica barrosiana, faz-se preciso valorizar também a problemática do preconceito linguístico, que se encontra silenciado no Brasil. Desse modo, urge destacar as principais causas desse empecilho: a maldade e o egoísmo da sociedade.
Diante desse cenário, é alta relevância pontuar que a maldade humana influencia fortemente o problema. A esse respeito, Hannah Arendt- expoente filosofa alemã- desenvolveu o conceito de banalidade do mal, segundo o qual a população comete atitudes hostis sem percebê-las . Dessa forma, as pessoas que não seguem a norma culta são afetadas pela hostilidade denunciada por Arendt, na medida em que o assédio linguístico é uma prática presente no cenário contemporâneo. Essa mazela simboliza a crueldade humana em que suas faces mais perversas. Assim, enquanto a maldade for regra, o direito de fala será a exceção.
Ademais, o egoísmo atua como elemento catalisador. Acerca disso, consoante o renomado sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedada atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Em contrassenso ao pensamento do estudioso, ocorre, no país, a intolerância com fala do próximo, o que, por conseguinte, gera o preconceito linguístico. Logo, é incoerente que mesmo sendo nação pós-moderna, a sociedade viva uma cultura idealizadora.
É preciso, potanto, superar a gênese do preconceito linguístico. Para tanto, cabe a mídia de grande alcance,como o Facebook e o Instagram, criar um programa, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, a fim de atualizar a mentalidade social sobre a questão que impera. Dessa forma, é possível construir um país em que o escritor Manoel de Barros pudesse se orgulhar.