Preconceito Linguístico

Enviada em 04/07/2022

Uma pedra representando, simbolicamente, uma ideia de obstáculo diante da trajetória do eu lírico. É isso o que se vê no poema “No meio do caminho” de Carlos Drummond de Andrade. Relacionando essa metáfora com o preconceito linguístico, verifica-se que este fenômeno tem se configurado como uma “pedra” para a sociedade. Nesse prisma, é preciso analisar essa questão no Brasil.

Antes de tudo, nota-se que o poder governamental demonstra certa negligência perante o preconceito linguístico. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta informar a população sobre a importância de se respeitar qualquer individuo que fale ou se expresse de um jeito “diferente”, seja por exemplo: o sotaque, que faz com que as pessoas desrespeite por causa deste motivo, o que prejudica o direito ao respeito destes indivíduos. Recorrendo aos estudos do filósofo Jean-Jacques Rousseau para explicar esse fato, é possível constatar o rompimento do contrato social, pois o Estado não tem promovido o bem-estar de todos os cidadãos.

Ademais, observa-se que aceitar o preconceito linguístico é naturalizar o mal. Porém, parte dos brasileiros tem apresentado certa apatia diante da ausência de aplicação das leis vigentes, posto que falta efetivar o ordenamento jurídico que proíbe o desrespeito as pessoas que se exprimem de um jeito não igual ao do qual a pessoa que fez a discriminação com a vitima, comprometendo, assim, o direito à integridade dessas pessoas. Esse fato vem a confirmar as reflexões da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo essa pensadora, as pessoas têm perdido a capacidade de diferenciar o certo do errado em virtude de um processo de massificação social.

Convém, portanto, ressaltar que o preconceito linguístico deve ser superado. Logo, é necessário que o Estado promova a conscientização dos indivíduos, priorizando palestras educativas, com o objetivo de se obter assim o respeito de todos independente de lingua ou forma de se expressar. Além disso, é fundamental sensibilizar as pessoas, por meio de

campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se aceitar esse ou qualquer tipo de preconceito. Desse modo, seria possível assegurar o bem-estar de todos prescrito

pelo contratualista Jean-Jacques Rousseau.