Preconceito Linguístico
Enviada em 13/07/2022
Segundo a Constituição Federal de 1988, “todos são iguais perante a lei”. No entanto, tal ensejo constitucional não é cumprido na realidade no que tange o preconceito linguístico, que se caracteriza pela diferenciação hierárquica das diferentes variações da língua, de modo a alienar o respeito à diversidade. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem, como causas, a invisibilização e a sensação de superioridade.
Nesse cenário, em primeiro plano, o silenciamento impacta na questão. Para Lilia Schwarcz, o Brasil possui prática na política de eufemismos, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados no país. Tal suavização é notória na problemática da discriminação linguística, uma vez que a falta de debates, bem como de fóruns de discussão, sobre a importância do respeito às variações da língua, fomenta a naturalização da violência supracitada. Dessa forma, é fundamental que haja substituição da prática negligente pela educativa.
Além disso, é coerente apontar a intolerância como um fator do problema. De acordo com Grada Kilomba, certos corpos e determinadas identidades são discriminados. De fato, é notória a discriminação presente nos juízos de valor realizados quanto às variedades linguísticas, já que a variação padrão, além da forma culta urbana da região Sudeste, por exemplo, são valorizadas em detrimento das demais, fato que estimula a prática discriminatória no cotidiano. Dessa maneira, é preciso que a tolerância se sobreponha à violência simbólica.
Portanto, urge intervir nesse problema. Para tal, o Ministério da Educação deve fomentar campanhas publicitárias na TV, bem como “workshops” em locais públicos e privados, como escolas, sobre a relevância do respeito às diversidades da língua, por meio da elaboração, votação e sanção de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que destine verbas públicas para a viabilização do projeto, a fim de mitigar o silenciamento e a intolerância que imperam na questão. Tal ação pode, ainda, contar com divulgação nas redes sociais para alcançar mais pessoas. Assim, se fará valer a Carta Magna.