Preconceito Linguístico

Enviada em 05/08/2022

A obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, retrata a dificuldade da sobrevivência de uma família de retirantes, os quais enfrentam a fome, a pobreza extrema e o preconceito linguístico nas cidades, o que os deixa ainda mais excluídos do meio social. Fora da ficção, a discriminação comunicativa existe e afeta não somente o indivíduo como também as esferas sociais, educacionais e midiáticas da sociedade. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Nesse viés, vale ressaltar a colonização portuguesa no Brasil como principal forma de reprerssão às formas de linguagem, uma vez que a norma culta portuguesa foi imposta como regra e todas as outras formas de linguagem foram ridicularizadas e proibidas. De acordo com a obra “A microfísica do poder” do filósofo Michel Focault, a língua é uma ferramenta de poder e dominação, possuindo tanto a capacidade de coordenar uma sociedade como invisibilizar indivíduos não falantes. Assim, verifica-se que o preconceito linguístico, alimentado pelas raízes de intolerância da colonização, continua retirando o poder de manifestação e a relevância ideológica de pessoas que não seguem a norma culta gramatical.

Outrossim, a mídia, utilizando de esteriótipos e ridicularizações, contribui para o problema. Segundo o sociólogo Theodor Adorno, a indústria cultural, visando o lucro, tende a uniformizar gostos e massificar a partir de meios de comunicação, isto é, a capacidade de questionamentos sociais é inibida por conta do lucro das empresas midiáticas. Logo, é inaceitável que o preconceito linguístico seja adotado como uma prática inofensiva de humor e entretenimento, já que estimula a xenofobia, exclusão social e desrespeito às origens culturais e étnicas.

Portanto, é evidente que Estados e a Agência Nacional de Cinema (ANCINE) devem mudar a realidade do preconceito linguístico no Brasil. Desse modo, o Tribunal de Contas da União deve destinar recursos ao Ministério da Educação para a promoção de projetos educacionais que valorizem a língua popular e regionalizada, utilizando-se de rodas de conversa e debates em escolas e locais públicos. Além disso, a ANCINE, por meio de filmes e séries, deve mostrar a riqueza linguística de uma forma educativa,inclusiva e respeitosa, pretendendo evitar essa prática. Posto isso, o Brasil será melhor para todos.