Preconceito Linguístico
Enviada em 17/08/2022
O filme “Que horas ela volta?” é um filme brasileiro, protagonizado por Regina Casé, no qual ela e sua filha são criticadas e julgadas por seus patrões pela forma como falam. Apesar da história televisiva ser fictícia, a problemática em questão se faz presente no contexto brasileiro. Nesse sentido, a negligência governamental somada ao comportamento social são causas do preconceito linguístico no país.
Em primeira análise, a displicência governamental justifica a discriminação de linguagem. Nesse contexto, o jornalista e sociólogo Gilberto Dimenstein afirma em sua obra “Democracia em pedaços”, que embora o Brasil tenha um sólido aparato legislativo, mantém-se apenas no plano teórico. Dessa forma,verifica-se que o postulado de Dimenstein justifica-se na não garantia da educação de qualidade à todos os cidadãos, prevista na Constituição de 1988. Tal fato ocorre devido à falta de investimentos pelo governo nas escolas públicas. Nesse sentido, a defasagem escolar resulta na dificuldade de aprender a própria língua e falar corretamente.
Ademais, a postura da sociedade também se justifica como causa do problema em questão. Nesse viés, o sociólogo francês Pierre Bourdieu descreve a “Teoria dos hábitos” como ações intrínsecas no cotidiano do indivíduo que são produto da vivência familiar. Nesse sentido, a família é a instituição primária que cria hábitos que permanecem a vida toda, como naturalização do preconceito. Com isso, ao fazer comentários de juízo negativo às variedades linguísticas, a criança naturaliza e reproduz a situação de aversão como brincadeira. Desse modo, o indivíduo exposto ao preconceito no cotidiano, tende a reproduzir e perpetuar essa postura.
Torna-se evidente, portanto, que a negligência governamental e o comportamento social potencializam a problemática do preconceito linguístico no território brasileiro. Para contornar esse cenário, faz-se necessário que o Estado, por meio do Ministério da Educação, crie monitorias nas escolas, após as aulas, para assim, aperfeiçoar o ensino do indivíduo. Outrossim, é válido a criação pelo governo junto a mídia, de propagandas, em horário nobre e com personalidades de autoridade, que informe, de forma midiática e educativa, a importância da valorização das variações linguísticas e a necessidade de respeito diante a forma de falar do outro. Assim, a história da personagem de Regina não ocorrerá na realidade do país.