Preconceito Linguístico
Enviada em 14/09/2022
Segundo a socióloga Hanna Arendt, “a diversidade é um aspecto inerente à espécie humana”. Entretanto, o preconceito linguístico presente na sociedade representa uma transgressão de tal conceito, devido à fluidez das relações sociais, as quais se tornaram menos tolerantes, e à falta de participação escolar na formação de cidadãos conscientes.
Diante desse cenário, a fragilidade dos relacionamentos impede a manifestação do respeito às múltiplas comunicações. Isso porque o individualismo exacerbado não permite a convivência pacífica do corpo social, pois leva o sujeito a acreditar que a sua maneira de se expressar é a única correta e legítima e, por conseguinte, a desconsiderar os demais usos da língua. Esse panorama é comprovado pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o qual defende o fato de o egoísmo estar enraizado na população brasileira, de modo que os indivíduos priorizam as ideias particulares, em detrimento do bem-estar coletivo. Com isso, manter relações baseadas na intolerância fortalece a permanência do preconceito linguístico.
Ademais, a escassez de participação escolar corrobora o impasse. Nesse sentido, o escritor brasileiro Paulo Freire postula a definição de “pedagogia da autonomia”, responsável por desenvolver valores socioemocionais no ambiente estudantil, como a empatia. Contudo, a prevalência de instituições negligentes, - as quais não colaboram na elaboração de palestras, rodas de conversa e disciplinas voltadas ao ensino dos diferentes sotaques e situações comunicativas - dificulta a concretização do modelo freiriano. Com efeito, há a persistência de cidadãos preconceituosos, já que durante suas formações escolares não obtiveram o suporte necessário para a apreensão de diferentes realidades.
Logo, ações para a reversão desse quadro de exclusão são vitais. Portanto, o Ministério da Educação deverá promover nas escolas de todo o país projetos de conscientização, por meio da realização de rodas de conversa entre os alunos, nas quais serão compartilhadas vivências a respeito do tema, e da criação de disciplinas destinadas ao aprendizado linguístico, a fim de, simultaneamente, estreitar os laços afetivos e formar os estudantes adequadamente. Assim, a frase de Arendt poderá ser aplicada.