Preconceito Linguístico

Enviada em 29/09/2022

No Brasil, são comuns os casos de preconceito linguístico, ou seja, intolerância pela forma que uma pessoa se comunica. Muito disso ocorre por conta do ensino, nas escolas, de uma única forma de se comunicar: a gramática normativa, o que provoca nas classes mais favorecidas um sentimento de superioridade por conhecerem a linguagem formal. Dessa forma, a discrminiação com a variedade linguística informal forma um ciclo vicioso de preconceitos contra as classes mais pobres, o que aumenta a exclusão social.

Nesse cenário, uma causa desse preconceito é não haver estudo de diversidade linguística nas instituições de ensino. Sobre esse assunto, o professor Marcos Bagno, no livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz” defende uma educação que valorize a variedade cultural do país. Isso é destacado pelo autor porque há a criação de um padrão imposto pela elite econômica e intelectual, o que não é correto, pois a gramática é apenas uma parte de uma língua que tem uma extensa pluralidade regional, isto é, não há uma forma de se comunicar que é mais importante que outra. Portanto, é preciso haver uma mudança de pensamento na sociedade, começando pelo ensino da diversidade.

Por conta disso, há exclusão social no país. Nesse contexto, o livro “Vidas Secas”, do Graciliano Ramos, mostra como Fabiano sofre com a dificuldade de se expressar de forma clara e isso faz com que ele seja sempre excluído de conversas. Conforme exposto no livro, há um paralelo com a realidade, porque a população mais pobre no Brasil tem um acesso limitado à educação e, por isso, a variedade informal e regional é mais presente. Dessa maneira, esse problema acentua as diferenças de classe e dificulta, por exemplo, a inserção no mercado de trabalho sendo mão de obra qualificada, promovendo disparidade socioeconômica.

Em suma, medidas são necessárias. Primeiro, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo desenvolvimento educacional, deve trazer, por meio de mudança na base curricular, o ensino da variedade linguística, a fim de que os estudantes aprendam que o português é mais do que só gramática. Outrossim, o Governo deve promover cursos profissionalizantes para que todos tenham conhecimento do idioma formal e informal e assim, haver reduzição dessa exclusão social.