Preconceito Linguístico

Enviada em 06/11/2022

A Constituição Federal de 1988, em suas linhas, garante que serão punidos os crimes resultantes de preconceito de procedência nacional. Entretanto, na realidade, a lei não é suficiente para impedir que o preconceito lingístico atue na sociedade brasileira, visto que, diariamente, brasileiros são destratados e visto como incapazes apenas por falarem de forma diferente da norma culta. Dessa forma, a problemática é agravada não só pela negligência midiática, mas também pela desinformação acerca dos diferentes modos de falar a língua nacional.

A princípio, o descaso da mídia com a problemática contribui para que o problema permaneça presente no dia a dia dos cidadãos. Nesse contexto, o escritor Marcos Bagno afirma em sua obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz” que a mídia retrata a fala nordestina de forma grotesca, atrasada, em prol de gerar entreterimento e risos ao público, contribuindo para a esteriotipização e a exclusão social do povo nordestino. Em consonância com a obra supracitada, observa-se a contribuição da mídia no agravamento da temática, apresentando diferentes modos de falar, além da norma culta, de forma pitoresca, contribuindo para que as variações linguísticas sejam vistas como “erradas” e motivo de piada. Assim, é notória a participação das mídias na problemática.

Vale ressaltar, ainda que, a falta de ensinamentos sobre as variedades linguísticas agrava a problemática. Nesse sentido, segundo o pensador Sir Arthur Lewis, gastos com educação não são despesas, mas sim investimentos com retorno garantido. Em relação ao pensamento exposto, nota-se a importância da educação na formação dos indivíduos, sendo a educação sobre variedades linguística necessária para que os jovens saibam respeitar e conhecer as diversidades na língua portuguesa. Logo, a educação é primordial na resolução da problemática.

Dessarte, faz-se necessária a intervenção estatal. Dessa forma, o Ministério da Educação, órgão responsável pela grade curricular brasileira, deve inserir a variedade lingística no dia a dia dos estudantes. Para isso ser possível, a ação deve ser realizada por meio da inserção do conteúdo “Língua Portuguesa e as suas variações” na carga horária dos estudantes brasileiros, a fim de diminuir o preconceito linguístico no país. Só assim a problemática poderá ser dirimida.