Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2022
A série norte-americana “Modern Family” exibe diversos episódios de escárnio contra a hispanofalante Gloria Pritchett, devido ao seu sotaque. De forma pararela, são comuns, no Brasil, casos de assédio linguístico contra os mais variados acentos, o que não apenas reflete o passado colonialista do país, como também configura um modo de violência contra as vítimas. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é necessário destacar as raízes históricas do preconceito linguís-tico no Brasil. Para tanto, relaciona-se a Carta de Pero Vaz de Caminha, documento histórico que, entre tantas coisas, apontava a superioridade da língua portuguesa sobre a língua dos colonizados, em 1500. Com isso, é evidente que o processo de formação do país tem, como um de seus pilares, a tentativa de hegemonia dos colonizadores, com a subvalorização cultural e linguística dos nativos. Nesse senti-do, é de se esperar que haja, ainda hoje, uma repressão contra as diversas varian-tes do idioma, na medida em que se distanciam da norma culta - não ironicamente, semelhante à variedade europeia da língua.
Por conseguinte, indivíduos que apresentam sotaques menos prestigiados so-cialmente são vítimas de viôlencia, no panorama hodierno. De fato, Pierre de Bor-dieu abordava, em suas obras, o conceito de “viôlencia simbólica”, que não se ba-seia na utilização da coerção física, e sim por meio de símbolos. Nesse contexto, o preconceito linguístico reforça a tese do autor, uma vez que indivíduos com sota-ques mais acentuados se tornam alvos de piadas, como a participante nordestina Juliette, do reality show “Big Brother Brasil”, que se sentiu constrangida após seus colegas caçoarem de seu modo de falar.
Sob essa perspectiva, é evidente que o governo federal deve tomar iniciativas para solucionar o problema em questão. Para tal, ele pode agir por meio do Minis-tério da Educação e adicionar módolos sobre o tema na grade curricular, que abor-dem a beleza da variedade linguística e cultural do país e elucidem sobre a impor-tância de respeitá-la. Isso, com a finalidade de promover, desde cedo, uma edu-cação baseada no respeito e na tolerância para todos os jovens. Assim, será pos-sível enfrentar o preconceito linguístico no Brasil.