Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2022

O Brasil, dono de um imensurável patrimônio linguístico, com diversas variações regionais, reproduz diariamente o preconceito linguístico, que aflige, sobretudo, os mais pobres. Isso, deve-se a infeliz primazia dá língua culta e a discriminação dá linguagem regional de locais economicamente desfavorecidos.

Segundo Pierre Bourdieu, a língua é usada como instrumento de poder pelas classes dominantes, já que ao priorizar a norma culta em detrimento da coloquial, concede à linguagem a capacidade de segregar determinados estratos sociais. Sobretudo, os economicamente desfavorecidos, que dificilmente terão acesso a uma educação de qualidade e estarão restringidos às posições menos prestígiadas na sociedade, pois não dominam a língua padrão exigida e tem a sua forma de se expressar menosprezada.

Além disso, tem-se o preconceito regional, no qual regiões com maior poder econômico determinam como feias ou impróprias as variações de regiões pobres. Essa dinâmica é observável nas relações de sul e sudeste em relação ao nordeste. Os primeiros, por processos históricos desenvolveram-se mais economicamente, e acabam por reproduzir comportamentos como discriminação linguística e a xenofobia. Esses comportamentos afetam diretamente as relações sociais e de poder, já que os nordestinos, tem sua identidade e maneira depreciadas na reprodução de tais preconceitos.

Assim, a fim de romper com a perpetuação do preconceito linguístico, o Estado, por meio de escolas públicas e privadas, deve priorizar o ensino dá importância social da língua e a riqueza da variações línguisticas, para que, dessa maneira, as populações e regiões pobres não sejam estigmatizadas e segregadas por sua maneira de falar.