Preconceito Linguístico
Enviada em 11/11/2022
“O Triste Fim de Policarpo Quaresma” foi uma obra de Lima Barreto, em que o protagonista tenta, de maneira falha, uniformizar o idioma nacional. Longe da ficção, o preconceito linguístico é uma problemática que presiste no país devido à mentalidade populacional nociva e à postura educacional inerte do Estado. Há,portanto, a necessidade de um amplo debate sobre como superar isto.
A princípio, é válido ressaltar o aspecto populacional nesta situação.Neste viés, o filósofo Pierre Bordieu estabelece o conceito de violência simbólica,segundo o qual, mentalidades e preconceitos fundamentam problemas sociais.Tal premissa encaixa-se perfeitamente nesta questão,uma vez que o preconceito linguístico persiste devido a concepções etnocentricas da lingua brasileira que estão enraizadas na população.A fala regional nordestina,por exemplo, foi alvo de inúmeros ataques xenofóbicos nas mídias sociais nos últimos. Entende-se,pois, a necessidade de propor medidas que possam romper com este paradigma social.
Além disso, é válido salientar a responsabilidade estatal nesta questão. Neste âmbito, o pedagogo Paulo Freire afirma que é dever do Estado promover a educação que rompa com os problemas sociais. Indo de encontro a este postulado, nota-se a omissão estatal diante do quadro atual de preconceito linguístico, ao passo que são escassas as políticas públicas educacionais dedicadas a expor as diferenças culturais linguíticas nacionais e a importância de se combater as práticas etnocêntricas neste ínterim.Compreende-se, destarte, a necessidade de reavaliar a atuação estatal neste segmento.
Por tudo isto, faz-se necessária a intervenção civil e estatal. Neste contexto, o Ministério da Educação deve promover, nos ambientes públicos, palestras elucida-tivas e atividades lúdicas administradas por sociólogos que possam, mediante o discurso informativo, alertar a população sobre a importância da variação linguísti-ca e os perigos do preconceito idiomático.Com precisão análoga, as instituições de ensino brasileiras devem promover reformas nas grades curriculares de todos os níveis de formação para que possam abordar a questão da língua brasileira sob a perspectiva critica e identitária, com o fito de implantar a educação prevista por Freire. Desta forma, este problema será superado.