Preconceito Linguístico

Enviada em 09/11/2022

Em 1922, a Semana da Arte Moderna, “chocou” o País. Esse movimento teve co-mo destaque a escrita de Manuel Bandeira, cuja obra recitada “Os sapos” ridicula-rizou, em seus versos, o preciosismo vocabular tão difundido pela escola parna-siana. Tal criticidade do modernista mostra-se atual, visto que a norma padrão ainda possui maior prestígio no Brasil, um cenário que viabiliza o preconceito lin-guístico. Isso deve-se a fatores como a negligência de escolas quanto à adaptação

e a herança homogeneizadora presente na sociedade desde a colonização.

Mediante o exposto, nota-se que muitas instituições escolares negligenciam uma parte fundamental da identidade do estudante, que consiste na sua linguagem. Para o educador Paulo Freire, a adaptação da linguagem na escola facilita o proces-so de ensino-aprendizagem, o qual o aluno assimila, de forma significativa, o con-teúdo e molhora as suas habilidades cognitivas. Nesse viés, a associação entre o conhecimento e a memória sócio-cultural, mediada pela escola, faz-se necessária para transformar o jovem em um futuro cidadão que respeite devidamente as di-ferentes linguagens cotidianas.

Além disso, observa-se que o corpo social, em sua maioria, herdou o aspecto ho-mogeneizador dos seus antepassados. A literatura jesuítica permite compreender que, no século XVI, os portugueses, a partir de sua visão etnocêntrica e explorado-ra, impuseram aos colonizados a sua língua com o objetivo de incluí-los ao seu ide-ário civilizatório. Essa imposição, por sua vez, resultou em grandes perdas de me-mórias coletivas a diversas tribos, o que refletiu diretamente na superestimação da língua portuguesa em detrimento das demais ao longo das gerações. Apesar desta herança eurocêntrica, as variações linguísticas mostram-se resistentes, o que for-talece a busca pelo respeito da sociedade civil.

Portanto, a fim de mitigar o problema abordado, cabe à escola, instituição pro-motora de desonvolvimento educacional, instruir o corpo docente a adaptar a

sua linguagem na sala de aula. Essa ação se dará por intermédio de cursos pre-paratórios ministrados por educadores especialistas na área. Só assim, a socie-dade começará a respeitar o modo de falar do outro.