Preconceito Linguístico
Enviada em 23/03/2023
Na obra “Turma da Mônica” de Maurício de Souza, o personagem Chico Bento sofre ataques frequentemente pelo seu modo de falar. Fora da ficção, podemos perceber as semelhanças dessas ocorrências no território brasileiro, visto que muitos indivíduos padecem com o preconceito linguístico. Essa problemática persiste tanto pelo lento avanço do processo cultural, quanto pela negligência governamental.
De fato, a cultura elitista da língua contribui para a problemática em questão. Os indivíduos que possuem domínio da linguagem formal se consideram superiores aos que usam dialetos e sotaques excluídos da norma padrão. Como visto na obra supracitada, o personagem Genesinho, possuidor de grande poder aquisitivo, humilha as outras personagens pela sua forma “superior” de falar, contrariando a Carta Magna brasileira de 1988 que assegura a igualdade de todos os cidadãos independente da raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Ademais, a ineficiência governamental é outro fator que contribui para a permanência do problema. De acordo com a Lei 7.716 o preconceito linguístico denominado de discriminação e preconceito nacional, são tidos como crimes, mas vemos um completo descaso no cumprimento dessa lei, já que os indivíduos continuam cometendo tal ato sem nenhum tipo de punição. Dessa forma, é possível citar o famoso caso da jornalista do jornal GloboNews, que cometeu preconceito linguístico contra o atual presidente, ex-retirante nordestino, não recebendo punição alguma.
Portanto, objetivando combater o preconceito linguístico, algumas medidas devem ser tomadas. O Ministério da Educação, enquanto ferramenta estatal, deve promover campanhas nas escolas, realizadas por profissionais capacitados, buscando a conscientização a cerca da importância dessa pauta, a fim de que os jovens entendam que devem respeito a todos, independente da forma de falar. No mais, o Estado deve criar políticas públicas que aumentem a fiscalização e a punição desse crime hediondo. Dessa forma, uma sociedade onde todos os tipos de fala são respeitados, deixará de ser um quadro utópico e se tornará uma realidade.