Preconceito Linguístico
Enviada em 13/04/2023
‘‘Quando uma atitude hostil ocorre constantemente, os indivíduos passam a vê-la como banal.’’ Essa frase, da filósofa Hanna Arendt, relaciona-se ao contexto do preconceito linguístico, pois essa questão, lamentávelmente, tem se tornado corriqueira nos dias de hoje. Então, é preciso que medidas sejam tomadas para aplacar esse impasse, que possui como base o descaso governamental e a falta de alteridade.
Nota-se, a princípio, que - na sociedade brasileira - existe um descaso governamental em relação ao preconceito linguístico. Nesse sentido, no livro ‘‘Cidadão de Papel’’, verifica-se a materialização de que os direitos previstos na Constituição Cidadã de 1988, como a segurança, não são efetivos a todos os brasileiros em prática. Esse fato é demonstrado mediante a negligência do governo, pois este não tem dado a devida importância o tema, dessa forma, tal condição se torna evidente ao percebermos que não existe uma legislação eficiente para punir a prática do preconceito linguístico. Por consequência, muitos indivíduos estão sendo segregados, e, por vezes, nem mesmo se veem como cidadãos.
Além disso, a falta de alteridade é fator preponderante para a perpetuação do preconceito linguístico. Esse problema é denunciado pela jornalista Eliane Brum, em seu texto ‘‘Exaustos, correndo e dopados’’, pois, segundo ela, ‘‘Os indivíduos são incapazes de alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou até mesmo deletado.’’ Por conta disso, verifica-se que , tal problemática só tem aumentado, levando em conta que muitas vezes têm se tornado banal ferir ou oprimir o outro pela forma como ele se comunica. Logo, mazelas são geradas, como: distúrbios psicológicos e até mesmo a incapacidade de socializar.
Portanto, cabe ao governo instituir parcerias público-privadas, oferecendo isenções de parte dos impostos para grandes empresas. Essa ação se dará por meio de campanhas para apoio psicossocial de qualidade e de propagandas midiáticas - promovidas por essas empresas - para, assim, aplacar o preconceito linguístico. Isso tem como intuito remediar o descaso governamental e, também, a falta de alteridade para contrapor o elucidado por Hanna Arendt.