Preconceito Linguístico
Enviada em 11/10/2023
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade em que todos possuem seus direitos assegurados de forma efetiva, além de relatar um cenário livre de problemas políticos e sociais. No entanto, a realidade é contrária ao que o autor prega, já que o preconceito linguístico é uma celeuma persistente. Isso ocorre ora pelo descaso governamental, ora pelo silenciamento.
Sob esse viés, é notório que a omissão governamental é um grave empecilho. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à intolerância linguística baseada na xenofobia, já que a forma de cada um se espressar está ligada diretamente a sua cultura, algo que não é espeitado pela sociedade, qual o governo está cumprindo seu papel como agente fonecedor de direitos mínimos, gerando falsa sensação de cidadania. Assim, para que esse bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da imobilidade em que se encontra.
Além disso, a falta de discussão é um grande impasse. De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Contudo, há um silenciamento instaurado na questão da gramática não ser regra no que se refere a “língua do povo”, muito do preconceito está ligado a não se espressarem de acordo com o politicamente correto, porém não há rótulos que proibem o jeito de falar de alguém, uma vez que pouco se fala sobre isso nas mídias de grande acesso, tratando essa pauta como algo supérfluo.
Portanto, é imprescindível agir sobre esse contexto caótico. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda específica, por meio da organização de projetos e fundos, a fim de reverter o descaso governamental que afeta o preconceito linguístico. Paralelamente, é preciso intervir no silenciamento presente no problema, sendo obrigatório palestras em escolas e ambientes de trabalho, conscientizado culturalmente de que não há “jeito certo” de se espressar. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na sociedade.