Preconceito Linguístico
Enviada em 17/10/2023
Nos gibis da ‘‘Turma da Mônica’’, de Maurício de Souza, a personagem Chico Bento sofre preconceito por se comunicar com palavras e expressões ‘‘caipiras’’. Fora da ficção dos quadrinhos, essa é a realidade dos brasileiros que sofrem com o problema do preconceito linguístico no país, o qual gera a exclusão social desses cidadãos. Dessa forma, urge entender como a noção de superioridade linguística e a falta de debates na educação corroboram essa conjuntura, a fim de combatê-la.
Em primeira análise, vale lembrar que, após a colonização do Brasil, houve a valorização de certas formas de falar o português em detrimento das demais, propagando, assim, a noção de superioridade linguística. Dessa forma, percebe-se que a língua atua como meio de dominação de classes mais privilegiadas contra as mais desfavorecidas, que se tornam marginalizadas devido a sotaques, gírias e expressões regionais consideradas ‘‘inferiores’’ ao padrão de fala dos mais ricos. Diante disso, Oswald de Andrade, buscava valorizar os múltiplos falares para construir uma identidade cultural brasileira mais respeitosa e igualitária.
Em segunda análise, a escassez de debates nas instituições educacionais é outro elemento que resulta na perpetuação do preconceito. Isso ocorre, visto que, nos ambientes escolares há pouca discussão crítica acerca do combate a essa chaga no país. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defende que o ensino tem o objetivo de despertar a criticidade do aluno, incentivando-o a buscar autonomia e consciência social. Logo, a educação crítica é necessária para gerar reflexão e debate sobre a valorização da diversidade do idioma português no Brasil.
Portanto, medidas que atenuem o cenário atual precisam ser aplicadas em todo o território nacional. Desse modo, o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura devem promover a valorização da diversidade linguística brasileira, a fim de construir uma sociedade pautada no respeito e na inclusão dos grupos marginalizados linguisticamente. Essa ação dar-se-á por meio da divulgação de vídeos, que, em detalhe, confrontem o pensamento de superioridade linguística, nas instituições de ensino e nas plataformas digitais do governo. Assim, será possível que essa realidade preconceituosa esteja apenas nas histórias fictícias em quadrinhos.