Preconceito Linguístico

Enviada em 01/11/2023

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português, José Saramago, escreve sobre uma cidade fictícia, na qual, as pessoas ficam paulatinamente cegas. Na trama, o autor utiliza-se dessa alegoria para criticar a falta de altruísmo contemporâneo, em que os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao transpor a ficção e analisar a atual conjuntura, percebe-se que a obra exemplifica a realidade do país. Nesse contexto, é notável os desafios para combater o preconceito linguístico, motivado pela negligência estatal, bem como a a falta de empatia, o que pressupõe uma discussão acerca da problemática.

Em princípo, nota-se como a inoperância estatal é um fator agravante do problema no Brasil. Segundo o geógrafo Milton Santos, em seu texto “Cidadanias multiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia, quando os direitos do corpo social são amplamente desfrutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade estatal distancia a população de direitos previstos na Constituição Federal de 1988, a saber, o direito à liberdade de expressão. Dessa forma, enquanto a máquina pública prosseguir em negligenciar suas responsabilidades, o condão do cidadão perdurará em ser multilado.

Ademais, a falta de empatia, potencializa esse cenário. Nesse viés, no livro 1898 de George Owell, o indivíduo é controlado pela sociedade pela sua forma de pensar e agir, afetando com isso a saúde plena e física do cidadão que vê sua vida sendo monitorada de forma sistemática. Assim como na ficção, a realidade não é muito diferente, muitas pessoas sofrem preconceitos linguístico pela forma como falam ou emitem sotaque. Em decorrência disso, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas que tange à reversão desse contexto.

Diante do exposto, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, ações de conscientização, por meio de propagandas, mídias sociais e rodas de debates em escolas e universidades, com a finalidade de combater a prenoção linguística que adoece a nação. Assim, à luz da perspectiva de Saramago, será possível mitigar a cegueira moral que permeia essa questão e assegurar os direitos constitucionais às mais diversas formas de expressão.