Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2024
Em outubro de 1988, o país tupiniquim foi contemplado com um dos documentos mais importantes da sua história: a Constituição Federal, cujo conteúdo garante direito a cultura. Todavia, milhares de pessoas tem seus pensamentos invalidados devido à prática preconceituosa em relação às variações linguísticas. Dessa forma, faz-se necessário combater a problemática.
Mormente, cabe destacar que o preconceito linguístico reforça o processo de aculturação. Destarte, o processo da formação nacional suprimiu as formas de comunicação dos povos originário, resultado da convicção portuguesa de sua superioridade cultural. Nesse viés, apesar do ínterim entre a formação nacional e o contexto hodierno, o preconceito linguístico continua presente nos indivíduos,
os quais desconsideram as ideias vindas de grupos que não dominam a norma culta. Dessa forma, diversos grupos sociais tem suas culturas menosprezadas de maneira inválida, fato comprovado pela poeta Carolina Maria de Jesus, que demonstrou não ser preciso seguir as normas da gramática para transmitir sua mensagem. Dessa forma, é essencial que o governo conscientize a população acerca da diversidade comunicativa.
Ademais, é evidente a contribuição do sistema educacional para a manutenção da problemática. Nesse sentido, segundo o antropólogo brasileiro Florestan Fernandes a educação brasileira é excludente, fator comprovado pela preocupação
exclusiva de algumas redes de ensino em disseminar a norma padrão, deixando de lado as diferentes línguas. Dessa forma, as escolas, ao tratarem apenas de uma das diversas formas do português fortalecem a ideia de inferioridade do informal.
Portanto, se faz essencial que o governo mitigar a problemática. Para tanto, urge que o Ministério da Educação crie o projeto “Mais diversidade, Mais Vida”, o qual consistirá na ministração de palestras em todas as escolas públicas do país sobre a diversidade da língua portuguesa. Outrossim, a referida iniciativa deverá estudar obras que, tal como “O Quarto de Despejo”, demonstrem a importância dos desvios linguísticos para a manutenção cultural. Assim, o preconceito linguístico será minimizado no tecido social brasileiro e, consequentemente, a diversidade será garantida.