Preconceito Linguístico
Enviada em 05/05/2024
Pluralizando existências
A canção “zaluzejo” da banda teatro mágico convida o indivíduo a se libertar das amarras sobre o que é “correto e “formal” dentro da língua portuguesa para encontrar a verdadeira alegria na peculiaridade da diversidade humana. Em disprepância com esse cenário, o Brasil atual encontra-se submerso no preconceito linguístico. Sob esse viés, é válido analisar os desafios para combater o preconceito linguístico no país.
É mister ressaltar, em primeira instância, que a padronização da linguagem é segregativa. Isso se deve ao fato de que não há lacuna entre o vocabulário oral e o escrito, ambos se referem ao modo como a sociedade se expressa. Distinguí-los é utilizar a linguagem como instrumento de manipulação social, uma vez que cria um abismo entre grupos sociais distintos e a prepotência de um sobre o outro por intermédio da obtenção de vantagens e da discriminação. Acerca disso, ressalta-se a violência simbólica - termo do filósofo Pierre Bordieu -, advinda da relação de submissão por meio dos intolerantes e, por conseguinte, aturada pelos marginalizados.
Outrossim, a normalização do preconceito linguístico representa o principal entrave para findar a discriminação. Isso ocorre porque negligenciar o revés torna a sociedade insensibilizada aos danos excludentes ocasionados aos indivíduos que, muitas vezes, não se sentem confiantes para se expressar em decorrência do seu linguajar, tal fato pode ocasiosar o afastamento social. Esse comportamento segregativo é fruto da instrução que o indivíduo recebe, haja vista que, segundo Immanuel Kant, filósofo prussiano: “o homem não é nada além daquilo que a sociedade faz dele.”
Dado o exposto acerca dos desafios para combater o preconceito linguístico no Brasil, infere-se que medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o governo, responsável pelo bem-estar social, precisa estabelecer um programa nacional de conscientização ao respeito às diferenças linguísticas, com vinculação na mídia, e com debates em instituições educacionais, afim de desconstruir a ideia de língua homóloga. Afinal, como citou o escritor Guimarães Rosa: “viver é plural.”