Preconceito Linguístico

Enviada em 03/07/2024

Ao longo de todo o processo de formação cultural e identitária do povo brasileiro, houve um enaltecimento de determinadas variações linguísticas em detrimento de outras, como as vertentes de línguas africanas e indígenas. Analogamente, no Brasil contemporâneo, o preconceito linguístico ainda é muito presente no cotidiano em razão da opressão sistemática do meio cultural e da falta de conscientização dos meios escolares.

Inicialmente, deve-se destacar que a cultura de massa brasileira desempenha papel fundamental para a continuidade do preconceito linguístico. Nesse contexto, o sociólogo francês Pierre Bordieu afirma que certos saberes são mais valorizados socialmente do que outros em virtude da hierarquização dos costumes de diferentes classes e grupos sociais. Sob essa óptica, é notório que o processo de discriminação da língua afeta principalmente uma parcela mais desprivilegiada da população, prova disso é a constante intolerência com o falar de grupos nordestinos, indígenas, quilombolas, entre outros, mas pouco com a elite brasileira. Desse modo, o meio cultural reforça o preconceito linguístico.

Outrossim, a negligência escolar também é fator fundamental para agravar o problema em questão. Nesse viés, a obra “Crônicas da Educação”, da escritora modernista Cecília Meirelles, afirma que a educação é fundamental para a construção da consciência crítica do indivíduo em sociedade. Entretanto, a escola mostra-se indiferente à atual conjuntura do preconceito linguístico no país já que esta busca enfatizar apenas a importância da norma-padrão da língua, deixando de trabalhar em sala de aula o papel fundamental das outras variações na construção da riqueza da identidade nacional, gerando intolerância. Consequentemente, cria-se no país uma população mais propícia ao preconceito linguístico.

Portanto, o Governo Federal deve efetivar políticas públicas de valorização das diferentes variações da linguagem, por intermédio de anúncios publicitários de combate à intolerância e da criação de atividades em sala de aula para o reconhecimento destas variedades, objetivando a amenização do preconceito linguístico, uma vez que, como dito por Hegel, o Estado é o principal agente apaziguador das mazelas sociais.