Preconceito Linguístico

Enviada em 24/09/2024

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano sofre uma opressão social, em um contexto em que os menos favorecidos são dominados pelos que exercem o padrão culto da linguagem. Essa representação literária espelha uma realidade ainda vigente na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Assim, para compreender essa temática, é necessário entender o comportamento da sociedade e a estrutura do sistema educacional.

Convém ressaltar, a princípio, que a valorização excessiva do português padrão pela própria sociedade corrobora para esse preconceito. Por conta disso, essa priorização da norma culta leva à desvalorização de outras variantes linguísticas, como também para uma invisibilidade cultural. Como resultado, ocorre uma exclusão social dos falantes dessas variantes, os quais são estigmatizados como menos educados ou capacitados. Dessa maneira, essa segregação impacta negativamente as oportunidades de trabalho, resultando na perpetuação de desigualdades sociais e culturais.

Além disso, a conjuntura do sistema educacional reforça esse preconceito. Tal prática se justifica, uma vez que a escola está voltada para a enraização de um comportamento severo, focado exclusivamente no ensino da gramática “correta”. Desse modo, o centro educacional, que deveria ser uma ferramenta de promoção da inclusão, torna-se um ambiente que desvaloriza as diversidades linguísticas e promove a exclusão social das classes menos favorecidas, exercendo uma violência simbólica. Assim, a mudança na abordagem do ensino escolar torna-se essencial para a superação desse problema.

Portanto, com o intuito de combater o preconceito linguístico, o Ministério da Educação — órgão responsável pela promoção de políticas educacionais — deve promover campanhas de valorização da diversidade linguística por meio da criação de materiais didáticos que abordem as variantes regionais e culturais da língua, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais. Além disso, esses assuntos trabalhados devem atingir o ambiente familiar e os meios de comunicação para promover a conscientização social. Somente assim será possível criar uma sociedade mais inclusiva e menos preconceituosa.