Preconceito Linguístico

Enviada em 04/01/2025

Segundo a filósofa Hannah Arendt, “A sociedade está insensibilizada pelo mal e, assim, não se espanta com ele”. Em consonância ao pensamento de Hannah, a realidade do país atual não é diferente, visto que a sociedade atual não está dando a devida importância para o preconceito linguístico gerado pela falta de sensibilização dos indivíduos com o bem do próximo, sendo esse um desafio a ser sanado. Indubitavelmente, verifica-se a necessidade de descontruir a omissão estatal e a discriminação linguística.

Cabe pontuar, em primeiro plano, que a negligência estatal é uma das causas dessa problemática. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes argumenta que o bem-estar social é dever do Estado. No entanto, o governo mostra-se incapaz de promover políticas públicas eficientes para erradicação do percentual de vítimas do preconceito com a variação linguística no Brasil. Dessa forma, os casos de pessoas que são menosprezadas por usarem outras formas da língua portuguesa aumentam-se exorbitantemente, pois não há iniciativa governamental para solucionar esse problema. Todavia, é paradoxal que, em uma nação que prevê a sadia qualidade de vida, não se promova conscientização da população sobre as variantes línguísticas.

Outrossim, vale salientar a intolerância linguística como impulsionador desse problema. A esse respeito, a filósofa Simone de Beauvoir ressalta que “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Em paralelo a isso, observa-se uma sociedade totalmente alienada em relação ao número de brasileiros que são discriminados continuamente por não falarem o português formal, gerando consequências danosas a comunidade, a exemplo da rejeição em diversos lugare. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, uma vez que mesmo em meio a diversidade cultural brasileira, ainda existe paradigmas que precisam ser quebrados.

Portanto, compete ao Estado, órgão responsável pela administração nacional, o dever de valorizar os diferentes tipos da linguagem, por meio de debates e projetos sociais com profissionais da área linguística. Tais ações têm o intuito de garantir o bem de todos e fazer com que não seja normalizado essa situação.