Preconceito Linguístico

Enviada em 02/08/2025

Por meio de suas obras literárias, o autor modernista Oswald de Andrade propõe a criação da “linguagem brasileira” constituindo-se de elementos da linguagem popular brasileira. Entretanto, nota-se no Brasil contemporâneo a persistência do preconceito em relação a coloquialidade presente na comunicação popular. Em razão disso, é fundamental compreender os estigmas associados a comunicação popular e a exclusão social decorrida por tal como agravantes da problemática.

A princípio, os estigmas acerca da linguagem coloquial fomentam o distanciamento social entre classes. Isso ocorre pois, consoante as concepções do pedagogo Paulo Freire em seu livro “Pedagogia do oprimido”, a linguagem tem como função social transmitir um código, ou seja, garantir que o receptor compreenda a mensagem do emissor. Entretanto, ao observar a conjuntura brasileira torna-se perceptível os estigmas atribuidos à indivíduos que não possuem formação academica e, consequentemente, repertório linguístico. Tal questão pode ser observada pelo constante assédio moral direcionado a erros de concordância como “mais melhor” ou “arrudiar”. Assim, é preciso que medidas sejam tomadas para solucionar a questão.

Como consequência, o preconceito linguístico perpetua a exclusão social de determinados grupos perante a sociedade. Sob essa perspectiva, o filósofo polonês Zygmunt Bauman ao discutir acerca da invisibilidade social equivale tal apagamento a uma morte. Nesse sentido, de modo análogo a concepção de Bauman, é possível compreender a exclusão social desses grupos como uma questão invisibilizada, haja vista a inércia do tecido social diante do exposto. Logo, enquanto não houver diálogo a respeito da situação, o Brasil perpetuará um triste cenário: o retrocesso.

Para que o preconceito linguístico seja, portanto, minimizado, o Governo Federal - órgão responsável pelo bem-estar social - deve por meio do Ministério da Educação, promover em escolas e instituições acadêmicas, palestras de conscientização da diversidade linguística do país, com a finalidade de mitigar os impactos do preconceito linguístico na sociedade brasileira. Com isso, a “linguagem brasileira” proposta por Oswald se concretizará.