Preconceito Linguístico
Enviada em 14/07/2025
Na canção “Principia”, o cantor Emicida se questiona o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar o preconceito linguístico no país. Nesse sentido, o desinteresse estatal e o silenciamento da questão sustentam esse quadro amargo.
Diante desse panorama, é importante destacar que a inoperância e o desinteresse do poder público ocorrem porque o governo não enxerga retorno financeiro. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não investe em recursos que ajudem no combate ao preconceito e à discriminação da forma de falar da sociedade, como palestras de incentivo à leitura e à prática de empatia através de rodas de conversas nas escolas, onde estimulem ao acolhimento e não ao constrangimento linguístico. Desse modo, é inadmissível que em uma sociedade democrática, os governantes tratem o problema de maneira precarizada.
Ademais, é importante salientar o emudecimento da problemática. De acordo com a Djamila Ribeiro -socióloga brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto à importância de valorizar o direito de fala independente do grupo social ou de uma região, tendo o objetivo de acabar com o preconceito e com a discriminação sobre a fala dos indivíduos, sendo essencial para a manutenção da diversidade linguística no Brasil.
Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de acabar com o preconceito linguístico no Brasil. Tal medida, tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Então assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.